No verão mais quente da história, ar‑condicionado vira símbolo de disputa ideológica na França
No verão mais quente da história, ar‑condicionado vira símbolo de disputa ideológica na França Jorge Jacob , IÉSEG School of Management É difícil imaginar, no Congresso Nacional do Brasil, um político de bancada conservadora, defensor da redução dos gastos públicos e do tamanho do Estado, discursando em favor da instalação de aparelhos de ar-condicionado em escolas públicas, enquanto deputados e senadores de esquerda se opõem radicalmente à ideia. Mas na França, com as ondas de calor cada vez mais intensas que assolam o país, é exatamente isso que está acontecendo. Graças ao aquecimento global, o aparelho virou símbolo de uma batalha ideológica entre direita e esquerda, no debate sobre quais políticas públicas a nação deve adotar para aplacar os efeitos do calor extremo. Na França, o uso de ar-condicionado em residências e equipamentos públicos sempre foi tratado com cautela. Durante anos, a climatização foi de certa forma associada ao consumo excessivo de energia e ...