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A Copa que apostou contra o torcedor: algoritmos, bets e o que a escola ainda não ensinou

A Copa que apostou contra o torcedor: algoritmos, bets e o que a escola ainda não ensinou Raquel Lobão , Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Raquel Timponi , Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) No dia 22 de junho de 2026, enquanto Argentina e Áustria disputavam uma vaga na segunda fase da Copa do Mundo, os narradores da CazéTV (canal de streaming que detém os direitos de exibição dos 104 jogos do torneio no YouTube) recomendavam, em tempo real, que os telespectadores apostassem na Betnacional, que havia elevado suas odds (possibilidades de retorno da aposta) de 3 para 4 vezes o dinheiro apostado. A cena se repetiria em outros jogos: na partida entre a Espanha e Cabo Verde, um comentarista destacou que a casa de apostas KTO pagaria R$ 3,10 por cada real apostado se fossem marcados ao menos cinco gols. O jogo terminou 0 a 0. A repercussão negativa desse tipo de propaganda no meio dos jogos se alastrou rapidamente. Na segunda semana da Copa, o Depa...

Nosso Míssil para Salvar Vidas": Lula Celebra Biotecnologia Nacional na Bionovis


Nosso Míssil para Salvar Vidas": Lula Celebra Biotecnologia Nacional na Bionovis

São Paulo, SP – 5 de março de 2026

Em uma visita simbólica à fábrica da Bionovis em Valinhos (SP), nesta terça-feira (3), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ergueu uma caixa de medicamento biológico de alta complexidade e a batizou de "nosso míssil" – não para destruir, mas para salvar vidas. Segurando o produto que custa R$ 6 mil por dose, Lula destacou a indispensabilidade do Sistema Único de Saúde (SUS) para 90% da população brasileira, cuja renda mensal não supera R$ 5 mil, conforme dados do IBGE relativos a 2025. "Se você ligar a televisão de noite, está falando de guerra, de drone, de míssil, de invasão. E aqui nós estamos falando de salvar vida. Isso aqui é um drone de remédio para o povo brasileiro. Isso aqui é o nosso míssil", declarou o presidente, contrastando as narrativas bélicas globais com o arsenal terapêutico nacional.

A Bionovis, joint venture fundada em 2012 por laboratórios brasileiros como Aché, EMS, Hypera Pharma e União Química, representa o ápice da biotecnologia nacional. Localizada em Valinhos, a empresa pioneira produz medicamentos biológicos e biossimilares de alta complexidade, como infliximabe para doenças autoimunes e pegfilgrastim para suporte oncológico. Sua origem remete às Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), estratégia do governo federal para transferir tecnologia de multinacionais como Merck Serono e Janssen-Cilag (Johnson & Johnson), reduzindo dependência de importações que, até 2010, respondiam por 99% desses fármacos no Brasil. Hoje, a planta industrial tem capacidade para 250 kg de proteínas biológicas anuais e fornece mais de 19 milhões de frascos e seringas ao SUS, graças a 12 parcerias com instituições como Biomanguinhos/Fiocruz, Bahiafarma e Funed.

Essa visita não é isolada, mas ecoa a retomada de investimentos no Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), com R$ 15 bilhões alocados desde 2023 pelo Ministério da Saúde em inovação e produção. Em 2025, o governo destinou R$ 5,6 bilhões à aquisição de 8,4 milhões de doses de biofármacos via PDP, ampliando o acesso a tratamentos para câncer, reumatologia e imunossupressão. Biossimilares, versões acessíveis pós-patente, geram economias de até 71,1% em custos, conforme estudo da Sociedade Brasileira de Reumatologia publicado no Jornal Brasileiro de Economia da Saúde, baseado em dados da Unimed Maringá. No contexto global, onde o mercado de biológicos ultrapassa US$ 400 bilhões (Statista, 2025), o Brasil avança na soberania sanitária, contrastando com nações dependentes como a Índia, que ainda importa 70% de insumos ativos.

Os usos atuais desses "mísseis terapêuticos" são críticos: tratam doenças crônicas que afetam 15% da população brasileira, segundo o Ministério da Saúde, reduzindo mortalidade em 30% para pacientes oncológicos via suporte com pegfilgrastim. Futuramente, desdobramentos incluem a produção 100% nacional de IFA (Insumo Farmacêutico Ativo), aprovado pela Anvisa em 2025 para infliximabe, e expansão para vacinas de mRNA, alinhada à Nova Política Industrial até 2033. Exemplos reais ilustram relevância social: durante a pandemia de COVID-19, parcerias semelhantes viabilizaram 500 milhões de doses nacionais; hoje, fortalecem equidade em um país onde 50 milhões dependem exclusivamente do SUS.

IndicadorDado Atual (2026)Impacto no SUS
Fornecimento Bionovis19 milhões de frascos/seringasAcesso para 8,4 mi doses biofármacos 
Investimentos CEISR$ 15 bi desde 2023Redução importações em 40% 
Economia BiossimilaresAté 71,1%Economia R$ 2 bi/ano mercado 
Capacidade Produção250 kg proteínas/anoSuporte a 15% pop. crônica 

Legenda: Tabela resume contribuições da Bionovis e PDP ao SUS, com dados oficiais do Ministério da Saúde e estudos independentes. Fonte: Elaboração própria com base em.

Essa narrativa crítica revela tensões: enquanto Lula celebra soberania, desafios persistem, como burocracia regulatória e financiamento volátil, que limitam escalabilidade. Globalmente, tendências como a "bioeconomia" (UE investe €100 bi até 2030) posicionam o Brasil como player emergente, mas demandam continuidade política para evitar retrocessos observados em gestões passadas, quando importações subiram 25%.

Bibliografia

BRASIL. Ministério da Saúde. Em visita à Bionovis, presidente Lula e ministro Padilha destacam fortalecimento da indústria para produção de medicamentos para o SUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2026/marco/em-visita-a-bionovis-presidente-lula-e-ministro-padilha-destacam-for. Acesso em: 5 mar. 2026.

BIONOVIS. História. Valinhos: Bionovis, 2025. Disponível em: https://bionovis.com.br/historia/. Acesso em: 5 mar. 2026.

PLANALTO. Presidente Lula visita a Bionovis, indústria farmacêutica de biotecnologia. Brasília: Presidência da República, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2026/03/presidente-lula-visita-a-bionovis-industria-farmaceutica. Acesso em: 5 mar. 2026.

ORGANON. Medicamentos biossimilares entram na pauta do governo com reduções de custos de mais de 70%. São Paulo: Organon Brasil, 2025. Disponível em: https://www.organon.com/brazil/news/medicamentos-biossimilares-entram-na-pauta-do-governo-com-reducoes-de-custos-de-mais-de-70/. Acesso em: 5 mar. 2026.

RT BRASIL. "Isso aqui é nosso míssil", diz Lula ao visitar fábrica de medicamentos. São Paulo: RT Brasil, 2026. Disponível em: https://rtbrasil.com/noticias/30324-isso-aqui-nosso-missil-diz-lula/. Acesso em: 5 mar. 2026. [web:page]

Créditos

Reportagem: Fabiano C. Prometi
Edição: Fabiano C. Prometi
Site: Horizontes do Desenvolvimento – Inovação, Política e Justiça Social
Conteúdo pertence ao blog Grandes Inovações Tecnológicas. Reprodução só com autorização prévia. Licença: Todos os direitos reservados © 2026. 

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