Pular para o conteúdo principal

Destaques

A Copa que apostou contra o torcedor: algoritmos, bets e o que a escola ainda não ensinou

A Copa que apostou contra o torcedor: algoritmos, bets e o que a escola ainda não ensinou Raquel Lobão , Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Raquel Timponi , Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) No dia 22 de junho de 2026, enquanto Argentina e Áustria disputavam uma vaga na segunda fase da Copa do Mundo, os narradores da CazéTV (canal de streaming que detém os direitos de exibição dos 104 jogos do torneio no YouTube) recomendavam, em tempo real, que os telespectadores apostassem na Betnacional, que havia elevado suas odds (possibilidades de retorno da aposta) de 3 para 4 vezes o dinheiro apostado. A cena se repetiria em outros jogos: na partida entre a Espanha e Cabo Verde, um comentarista destacou que a casa de apostas KTO pagaria R$ 3,10 por cada real apostado se fossem marcados ao menos cinco gols. O jogo terminou 0 a 0. A repercussão negativa desse tipo de propaganda no meio dos jogos se alastrou rapidamente. Na segunda semana da Copa, o Depa...

Enxergando como uma borboleta: Lente plana revoluciona capacidades das câmeras

Hoje não existem câmeras capazes de fazer o que a pequena metassuperfície faz.
[Imagem: Arte gerada por IA/Lidan Zhang et al. - 10.1126/sciadv.adp5192]

Imagine poder capturar não apenas o que nossos olhos podem ver, mas também as nuances invisíveis da luz, como o espectro completo de cores e a polarização. Inspirada na visão das borboletas e outras criaturas da natureza, uma nova tecnologia desenvolvida por cientistas da Universidade do Estado da Pensilvânia, EUA, promete mudar a forma como vemos e interpretamos o mundo ao nosso redor. A pequena e poderosa lente plana, ou metalente, é capaz de transformar câmeras comuns em dispositivos capazes de capturar informações antes inalcançáveis, como a polarização da luz e dados espectrais mais amplos.

Metalente biomimética: Inspirada na natureza

No reino animal, certas espécies possuem habilidades visuais extraordinárias. Borboletas, por exemplo, conseguem ver uma gama de cores mais ampla do que os humanos, além de detectar a polarização da luz, o que lhes permite navegar, procurar alimentos e até se comunicar. O camarão louva-a-deus vai ainda mais longe, conseguindo perceber a polarização circular da luz — uma propriedade que ele utiliza para enviar sinais durante o acasalamento.

Essas capacidades únicas inspiraram os pesquisadores, liderados por Lidan Zhang, a desenvolver uma lente plana que imita essas características impressionantes. "Como o reino animal nos mostra, os aspectos da luz além do que podemos ver com os nossos olhos contêm informações valiosas que podemos usar em diversas aplicações," explicou o professor Xingjie Ni, parte da equipe de pesquisa.

Câmeras hiperespectrais e polarimétricas acessíveis

Atualmente, as câmeras hiperespectrais e polarimétricas — aquelas que capturam cores além do espectro visível e a polarização da luz — são volumosas, caras e não conseguem coletar ambos os tipos de dados ao mesmo tempo. Porém, a lente plana, ou metassuperfície, criada por Zhang e sua equipe, muda esse cenário. Com apenas três milímetros de largura e um custo de produção incrivelmente baixo, essa metalente pode ser acoplada a uma câmera convencional, permitindo que ela capture tanto informações espectrais quanto de polarização simultaneamente.

E o processo é rápido: os dados são transmitidos para um computador em tempo real, onde um programa de aprendizado de máquina decodifica as imagens multidimensionais em uma fração de segundo. “A 28 quadros por segundo — uma limitação imposta pela velocidade da câmera que usamos — conseguimos recuperar rapidamente informações espectrais e de polarização utilizando nossa rede neural,” afirmou o pesquisador Zhiwen Liu.

Aplicações revolucionárias

As possibilidades para esta tecnologia são vastas e emocionantes. No campo da medicina, a lente poderia ser usada para identificar mudanças estruturais em tecidos biológicos, potencialmente auxiliando no diagnóstico de doenças como o câncer. A capacidade de diferenciar propriedades materiais com base nas informações de polarização e espectro pode ajudar médicos a verem o corpo humano sob uma nova luz — literalmente.

Mas os benefícios não param na medicina. Imagine levar essa câmera a um supermercado e, com apenas uma foto, determinar o frescor das frutas e legumes antes de comprá-los. Ou, em áreas de conservação ambiental, ela poderia ser usada para monitorar a saúde de ecossistemas inteiros ao detectar sinais de estresse em plantas e animais que são invisíveis ao olho humano.



Como descreveu o professor Ni, "Essa câmera otimizada abre uma janela para o mundo invisível."

Destaques:

  • Inovação biomimética: Metalente plana inspirada na visão de borboletas e camarões-louva-a-deus.
  • Câmera hiperespectro-polarimétrica: Captura simultânea de dados espectrais e de polarização, algo inédito até agora.
  • Tamanho compacto e custo acessível: A lente mede apenas 3x3 mm e pode ser fabricada a baixo custo.
  • Análise em tempo real: Dados visuais são processados em tempo real graças a uma rede neural de aprendizado de máquina.
  • Aplicações médicas e comerciais: Desde o diagnóstico de câncer até a avaliação de alimentos frescos no supermercado.

Principais tags:

metalente, hiperespectro, polarização, biomimética, tecnologia de câmeras, lentes planas, metassuperfície, aprendizado de máquina, visão animal, aplicações médicas, inovação tecnológica, câmera hiperespectral, câmera polarimétrica, ciência dos materiais

Crédito:

Matéria baseada no estudo publicado por Lidan Zhang, Chen Zhou, Bofeng Liu, Yimin Ding, Hyun-Ju Ahn, Shengyuan Chang, Yao Duan, Md Tarek Rahman, Tunan Xia, Xi Chen, Zhiwen Liu e Xingjie Ni na Science Advances, intitulado "Real-time machine learning-enhanced hyperspectro-polarimetric imaging via an encoding metasurface", DOI: 10.1126/sciadv.adp5192.

Ajude o Blog comprando na nossa loja de ofertas da Amazon - https://whatsapp.com/channel/0029VaDxpEMGZNCkDb2PVR2r







Comentários