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A Copa que apostou contra o torcedor: algoritmos, bets e o que a escola ainda não ensinou

A Copa que apostou contra o torcedor: algoritmos, bets e o que a escola ainda não ensinou Raquel Lobão , Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Raquel Timponi , Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) No dia 22 de junho de 2026, enquanto Argentina e Áustria disputavam uma vaga na segunda fase da Copa do Mundo, os narradores da CazéTV (canal de streaming que detém os direitos de exibição dos 104 jogos do torneio no YouTube) recomendavam, em tempo real, que os telespectadores apostassem na Betnacional, que havia elevado suas odds (possibilidades de retorno da aposta) de 3 para 4 vezes o dinheiro apostado. A cena se repetiria em outros jogos: na partida entre a Espanha e Cabo Verde, um comentarista destacou que a casa de apostas KTO pagaria R$ 3,10 por cada real apostado se fossem marcados ao menos cinco gols. O jogo terminou 0 a 0. A repercussão negativa desse tipo de propaganda no meio dos jogos se alastrou rapidamente. Na segunda semana da Copa, o Depa...

Impactos das Mudanças Climáticas na Amazônia: A Realidade das Famílias Ilhadas pelo Fogo e pela Seca


O fogo implacável e a seca extrema têm devastado a Amazônia, impactando diretamente a vida de famílias que dependem da floresta para sua sobrevivência. Na Estação Ecológica (Esec) Soldado da Borracha, em Rondônia, e no lago Carapanatuba, no sul do Amazonas, a crise climática cobra seu preço. Famílias estão isoladas, cercadas pelas chamas e pelo desaparecimento da água.

A Situação de Roberto e Ana: Fogo à Porta


O casal Roberto Anacleto e Ana Bilenq na janela da casa de seu sítio na Estação Ecológica Soldado da Borracha, em Rondônia

Roberto Anacleto, 56, e Ana Bilenq, 52, vivem a realidade dura do fogo incontrolável que consome as terras ao redor de sua casa na Esec Soldado da Borracha. Eles enfrentam o desafio de combater as chamas que se aproximam a apenas 15 metros da porta de sua casa. A floresta ao redor queima há semanas, e a sobrevivência depende de ações rápidas e improvisadas, como o aceiro que construíram às pressas.

  • Localização: Esec Soldado da Borracha, Rondônia, a 70 km de Cujubim e 220 km da capital, Porto Velho.
  • Desafios: Cercados pelo fogo e pela fumaça tóxica, o casal se vê ilhado, com a saúde debilitada pela inalação constante de fumaça.
  • Situação agrária: Roberto e Ana são pequenos agricultores, diferentes dos grandes invasores e grileiros que destroem a reserva para criar pastos de gado.

O Desaparecimento do Lago Carapanatuba



No sul do Amazonas, a crise hídrica tem afetado severamente a vida de Damião da Conceição, 54, e Edilene Alves, 49, que vivem na comunidade do lago Carapanatuba. Com a seca extrema de 2024, o nível do lago e dos igarapés caiu drasticamente, tornando o percurso até a cidade de Humaitá, que antes levava 40 minutos, agora uma travessia de quatro horas.

  • Problema hídrico: O volume do lago chegou a 20 cm, e barqueiros locais preveem que, em poucos dias, poderá atingir 10 cm, tornando o trecho completamente intransitável.
  • Situação de emergência: O pai de Edilene, Antônio Ferreira, 74, precisa de atendimento médico urgente, mas o isolamento torna o transporte extremamente difícil.

A Amacro: Fronteira da Devastação



Porto Velho, Cujubim e Humaitá fazem parte da Amacro, uma área que originalmente seria um polo de desenvolvimento econômico, mas que se tornou uma das principais fronteiras de desmatamento da Amazônia.

  • Impacto no desmatamento: Em 2022, a Amacro concentrou 36% do desmatamento na Amazônia Legal, agravando a crise climática na região e promovendo ondas de fumaça tóxica que cobrem as cidades por semanas.
  • Queimadas descontroladas: As áreas protegidas, como a Esec Soldado da Borracha, estão sendo invadidas por grileiros e grandes criadores de gado, que usam o fogo como ferramenta para expandir suas posses.

A Luta pela Sobrevivência



As famílias da região, muitas delas pequenos posseiros, estão cercadas pela destruição. Elas enfrentam tanto o fogo quanto a seca, na esperança de que a próxima estação de chuvas, que usualmente começa em novembro, traga algum alívio.

  • Perdas na agricultura: Roberto lamenta a perda de suas plantações: "O café que plantei está morrendo, a banana e o mamão sofrem com a falta de chuva. A melancia que plantei morreu toda."
  • Impacto na saúde: A inalação constante de fumaça está afetando gravemente a saúde dos moradores, como Ana descreve: "Para dormir, temos que deixar tudo aberto, senão morremos sufocados pela fumaça."

A Crise Hídrica no Lago Carapanatuba



A crise climática no lago Carapanatuba é marcada pela seca severa que vem esvaziando o lago e isolando as comunidades ribeirinhas.

  • Jacarés dominam o cenário: A baixa profundidade da água tornou o lago e os igarapés perigosos, com jacarés-açu, gigantes da espécie, dominando a região.
  • Vida comunitária: Apesar das dificuldades, as famílias da região ainda dependem da coleta de castanha, da pesca e da produção de farinha de mandioca para sobreviver, enquanto enfrentam a devastação da floresta e o colapso ecológico.


Esse artigo ilustra como as mudanças climáticas, exacerbadas pelo desmatamento e pela invasão de terras, afetam diretamente as populações que dependem da Amazônia para viver. A crise humanitária que emerge dessa devastação não é apenas ambiental, mas social e econômica, refletindo o alto preço pago por essas comunidades.

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