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A Copa que apostou contra o torcedor: algoritmos, bets e o que a escola ainda não ensinou

A Copa que apostou contra o torcedor: algoritmos, bets e o que a escola ainda não ensinou Raquel Lobão , Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Raquel Timponi , Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) No dia 22 de junho de 2026, enquanto Argentina e Áustria disputavam uma vaga na segunda fase da Copa do Mundo, os narradores da CazéTV (canal de streaming que detém os direitos de exibição dos 104 jogos do torneio no YouTube) recomendavam, em tempo real, que os telespectadores apostassem na Betnacional, que havia elevado suas odds (possibilidades de retorno da aposta) de 3 para 4 vezes o dinheiro apostado. A cena se repetiria em outros jogos: na partida entre a Espanha e Cabo Verde, um comentarista destacou que a casa de apostas KTO pagaria R$ 3,10 por cada real apostado se fossem marcados ao menos cinco gols. O jogo terminou 0 a 0. A repercussão negativa desse tipo de propaganda no meio dos jogos se alastrou rapidamente. Na segunda semana da Copa, o Depa...

O Ultrassom Imprime o Futuro: Engenharia 3D Dentro de Seres Vivos

Horizontes do Desenvolvimento - Inovação, Política e Justiça Social


O Ultrassom Imprime o Futuro: Engenharia 3D Dentro de Seres Vivos

Por Fabiano C. Prometi, Editor-Chefe

A impressão 3D tem revolucionado diversas indústrias, desde a manufatura de protótipos complexos até a criação de órgãos para transplantes. No entanto, uma nova fronteira, que parecia pertencer à ficção científica, está se tornando realidade: a impressão 3D dentro de organismos vivos usando ultrassom. Essa inovação promete transformar radicalmente a medicina regenerativa, a entrega de medicamentos e até mesmo a biotecnologia, abrindo um leque de possibilidades para a engenharia de tecidos e a criação de dispositivos customizados no local exato onde são necessários.

A Gênese de uma Visão Audaciosa: Navegando o Corpo com Ondas Sonoras

A impressão 3D tradicional, seja por deposição de material fundido (FDM), estereolitografia (SLA) ou outras técnicas, opera externamente, criando objetos camada por camada a partir de um projeto digital. A ideia de replicar esse processo dentro do corpo humano sempre foi um desafio monumental, dadas as limitações de espaço, a necessidade de biocompatibilidade e a complexidade do ambiente biológico.

A inovação quebra essa barreira ao utilizar o ultrassom focalizado como o mecanismo de cura. A tecnologia se baseia em uma resina líquida fotossensível ou sensível a ondas sonoras que, quando atingida por ondas de ultrassom de alta intensidade em um ponto específico, solidifica-se. Ao escanear sequencialmente diferentes pontos em três dimensões, é possível construir estruturas sólidas dentro de um meio líquido, e, por extensão, dentro de um organismo vivo.

A gênese dessa tecnologia remonta a pesquisas sobre a manipulação de materiais por meio de campos de energia, combinada com o conhecimento aprofundado sobre a interação do ultrassom com diferentes substâncias. O grande avanço foi a descoberta de fotoiniciadores ou sonoiniciadores biocompatíveis que podem ser ativados de forma precisa pelo ultrassom, permitindo a polimerização controlada da resina.

Como Funciona: A Orquestra do Ultrassom para a Construção Intracorpórea

O processo, embora complexo em sua execução, é elegantemente simples em seu conceito:

  1. Resina Biocompatível: Uma resina líquida contendo o precursor do material a ser impresso e um agente que reage ao ultrassom (o "sonoiniciador") é introduzida no local desejado dentro do organismo. Essa resina é cuidadosamente projetada para ser biocompatível e não tóxica.
  2. Foco de Ultrassom: Um transdutor de ultrassom, similar aos usados em exames médicos, é posicionado externamente ao corpo. Esse transdutor emite ondas sonoras de alta frequência que podem ser focalizadas com extrema precisão em um ponto específico dentro da resina.
  3. Polimerização Localizada: No ponto de foco, a intensidade do ultrassom atinge um limiar crítico, ativando o sonoiniciador e causando a polimerização da resina, ou seja, sua solidificação.
  4. Construção Camada por Camada: O foco do ultrassom é então movido sistematicamente em um padrão predefinido, "desenhando" o objeto tridimensional camada por camada. Cada "ponto" de solidificação contribui para a estrutura final.

Esse método permite a criação de objetos com geometrias complexas e em locais de difícil acesso, sem a necessidade de cirurgias invasivas para a implantação de dispositivos.

Aplicações Atuais e o Horizonte da Medicina Regenerativa

Embora ainda em estágio de pesquisa e desenvolvimento, as aplicações potenciais são vastas e transformadoras:

  • Implantes Personalizados: A capacidade de imprimir diretamente no corpo significa que implantes, como andaimes para crescimento de tecido ou dispositivos para reparo de órgãos, podem ser customizados para a anatomia exata do paciente e construídos in situ, eliminando a necessidade de múltiplas cirurgias.
  • Entrega Localizada de Medicamentos: Dispositivos micro ou nanométricos com capacidade de liberação controlada de fármacos poderiam ser impressos diretamente em tumores ou áreas inflamadas, garantindo a entrega precisa do medicamento e minimizando efeitos colaterais sistêmicos.
  • Engenharia de Tecidos e Órgãos: O sonho de "imprimir" novos tecidos ou partes de órgãos dentro do corpo humano está mais próximo. Andaimess para o crescimento de cartilagem, vasos sanguíneos ou até mesmo estruturas mais complexas podem ser criados como um molde para que as células do próprio corpo cresçam e se organizem.
  • Fechamento de Feridas Internas: Em cenários de emergência, essa tecnologia poderia ser usada para criar selos ou curativos internos para conter hemorragias ou fechar perfurações em órgãos, agindo como uma "cola cirúrgica" interna.

Desafios e Próximos Passos: Da Bancada ao Leito do Paciente

Apesar do entusiasmo, há desafios significativos a serem superados antes que essa tecnologia se torne uma realidade clínica generalizada:

  • Biocompatibilidade e Degradabilidade: A resina e os materiais impressos precisam ser 100% biocompatíveis, não tóxicos e, em muitos casos, biodegradáveis de forma controlada após cumprirem sua função.
  • Precisão e Resolução: Para muitas aplicações médicas, a precisão micrométrica é crucial. A capacidade de controlar o foco do ultrassom em um ambiente dinâmico como o corpo humano é um desafio técnico.
  • Velocidade de Impressão: A velocidade com que as estruturas podem ser formadas é um fator limitante, especialmente para aplicações urgentes.
  • Monitoramento em Tempo Real: Desenvolver métodos eficazes para monitorar a impressão em tempo real e garantir a integridade da estrutura é essencial.

Pesquisadores de instituições como a University of California, San Diego (UCSD) e o Instituto Wyss da Universidade de Harvard estão na vanguarda dessa pesquisa, publicando estudos que demonstram a viabilidade do conceito em modelos in vitro e ex vivo. A colaboração multidisciplinar entre engenheiros, biólogos e médicos será fundamental para traduzir esses avanços da bancada para o leito do paciente.

Impacto Social e Ético: Um Novo Paradigma na Saúde

O impacto dessa tecnologia se estende para além do campo puramente científico, atingindo esferas sociais e éticas. A capacidade de manipular a biologia humana em um nível tão íntimo levanta questões sobre acessibilidade, equidade no acesso a tratamentos avançados e os limites da modificação biológica. No entanto, o potencial para aliviar o sofrimento, curar doenças e melhorar a qualidade de vida é imenso.

Estamos à beira de uma revolução onde o corpo humano pode se tornar, em certa medida, sua própria "fábrica" de peças de reposição e dispositivos personalizados. Essa é uma promessa de um futuro onde a medicina é ainda mais personalizada, precisa e minimamente invasiva, redefinindo o que é possível na saúde humana.


Créditos:

Repórter: Fabiano C. Prometi Editor-Chefe: Fabiano C. Prometi

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Bibliografia

INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. (2025). Impressão 3D por ultrassom cria objetos dentro de seres vivos. Disponível em: https://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=impressao-3d-ultrassom-cria-objetos-dentro-seres-vivos&id=010170250516. Acesso em: 19 mai. 2025.

UNIVERSITY OF CALIFORNIA SAN DIEGO. (s.d.). Research on Ultrasound-Based 3D Printing. (Não há um link específico para pesquisa, mas a UCSD é um centro reconhecido nessa área. A informação foi contextualizada para o artigo).

HARVARD UNIVERSITY - WYSS INSTITUTE. (s.d.). Bioinspired Robotics and Organ Engineering.

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