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A Copa que apostou contra o torcedor: algoritmos, bets e o que a escola ainda não ensinou

A Copa que apostou contra o torcedor: algoritmos, bets e o que a escola ainda não ensinou Raquel Lobão , Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Raquel Timponi , Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) No dia 22 de junho de 2026, enquanto Argentina e Áustria disputavam uma vaga na segunda fase da Copa do Mundo, os narradores da CazéTV (canal de streaming que detém os direitos de exibição dos 104 jogos do torneio no YouTube) recomendavam, em tempo real, que os telespectadores apostassem na Betnacional, que havia elevado suas odds (possibilidades de retorno da aposta) de 3 para 4 vezes o dinheiro apostado. A cena se repetiria em outros jogos: na partida entre a Espanha e Cabo Verde, um comentarista destacou que a casa de apostas KTO pagaria R$ 3,10 por cada real apostado se fossem marcados ao menos cinco gols. O jogo terminou 0 a 0. A repercussão negativa desse tipo de propaganda no meio dos jogos se alastrou rapidamente. Na segunda semana da Copa, o Depa...

Glicerina, o "lixo" do biodiesel, revoluciona a produção de hidrogênio verde e supera a água em dez vezes

Glicerina, o "lixo" do biodiesel, revoluciona a produção de hidrogênio verde e supera a água em dez vezes

Resíduo da indústria de biocombustíveis se torna matéria-prima estratégica para uma economia de hidrogênio mais barata, rápida e eficiente, aponta estudo suíço.


Por Fabiano C. Prometi

Horizontes do Desenvolvimento - Inovação, Política e Justiça Social

Uma descoberta revolucionária da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL), na Suíça, promete acelerar a transição para uma economia de hidrogênio de baixo carbono. Pesquisadores desenvolveram uma técnica que utiliza a glicerina – um resíduo abundante e de baixo custo da produção de biodiesel – para gerar hidrogênio verde com uma eficiência energética e uma velocidade surpreendentemente superiores às da eletrólise da água, o método tradicionalmente empregado. A inovação, que pode reduzir drasticamente os custos e a energia necessários para a produção do combustível do futuro, representa um divisor de águas para a sustentabilidade energética e a economia circular.

O estudo, liderado pelo cientista Jingshan Li, demonstra que a utilização da glicerina não apenas oferece uma rota mais barata, mas também resolve um gargalo ambiental significativo: o que fazer com as crescentes quantidades de glicerol bruto, cuja superprodução o tornou um problema para a indústria de biocombustíveis.

A Gênese da Inovação: Do Problema à Solução

A produção de biodiesel, um pilar da matriz energética de países como o Brasil, gera aproximadamente uma parte de glicerina para cada dez partes de biocombombustível. O que antes era um subproduto valioso para as indústrias farmacêutica e cosmética, tornou-se um excedente de mercado com a expansão dos biocombustíveis. "Houve um excesso de produção, o que fez seu preço despencar", contextualiza um analista do setor. Esse "lixo" industrial, no entanto, revelou-se um tesouro energético.

A equipe da EPFL, ao investigar métodos alternativos para a geração de hidrogênio, percebeu o potencial da molécula de glicerol (C₃H₈O₃). Diferentemente da água (H₂O), cuja quebra molecular via eletrólise exige uma quantidade considerável de energia elétrica para superar a barreira termodinâmica, a glicerina apresenta um caminho reacional mais favorável.

O processo desenvolvido pelos pesquisadores suíços, detalhado em publicação científica de alto impacto, utiliza a luz solar e um catalisador de sulfeto de cobre e óxido de índio para converter a glicerina em hidrogênio gasoso. A grande vantagem reside na menor energia necessária para iniciar e sustentar a reação. Conforme aponta o estudo (LI et al., 2025), a técnica não só produz hidrogênio a uma taxa muito mais elevada – superando em até dez vezes os métodos convencionais com água – como também opera com uma eficiência energética notavelmente superior.

Análise Técnica Comparativa

CaracterísticaEletrólise da ÁguaEletrólise da Glicerina (Método EPFL)
Matéria-PrimaÁgua purificadaGlicerina (subproduto do biodiesel)
Demanda EnergéticaAltaSignificativamente menor
Velocidade de ProduçãoPadrão (X)Até 10 vezes mais rápida (10X)
Custo da Matéria-PrimaBaixo, mas requer purificaçãoMuito baixo ou negativo (custo de descarte)
SubprodutosOxigênioÁcidos orgânicos (potencial valor agregado)
Fonte: Elaborado pelo autor, com base em dados do estudo da EPFL.

Gráfico 1: Comparativo entre as tecnologias de produção de hidrogênio.


Implicações Globais e o Caso Brasileiro

A inovação suíça dialoga diretamente com as metas globais de descarbonização e com a estratégia de nações líderes em agronegócio e biocombustíveis, como o Brasil. O país, sendo o segundo maior produtor de biodiesel do mundo, enfrenta o desafio de gerenciar um volume massivo de glicerina. A transformação desse resíduo em hidrogênio verde não apenas posicionaria o Brasil na vanguarda da tecnologia de energia limpa, mas também agregaria valor a toda a cadeia produtiva do biodiesel, fortalecendo a economia nacional.

Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção brasileira de biodiesel tem gerado centenas de milhares de toneladas de glicerina anualmente. A aplicação desta nova tecnologia em escala industrial poderia abastecer uma frota de veículos movidos a hidrogênio ou ser utilizado para descarbonizar setores industriais de difícil abatimento, como a siderurgia e a produção de fertilizantes.

Para o Dr. Carlos Almeida, especialista em energias renováveis consultado por nossa reportagem, "a abordagem da EPFL é um exemplo clássico de economia circular. Transforma um passivo ambiental em um ativo estratégico. Para o Brasil, com sua vocação para a bioenergia, o potencial é imenso e pode representar um salto qualitativo no Plano Nacional de Hidrogênio".

Desafios e Próximos Passos

Apesar do otimismo, a transição da prova de conceito em laboratório para a aplicação industrial em larga escala requer a superação de desafios. A escalabilidade do processo, a durabilidade dos catalisadores em condições operacionais contínuas e a logística para coleta e distribuição da glicerina são fatores críticos que precisam ser endereçados.

Jingshan Li e sua equipe já trabalham no aprimoramento do sistema, visando a construção de reatores maiores e mais eficientes, capazes de operar em condições reais. "O próximo passo é desenvolver um reator de demonstração em escala-piloto, com centenas de litros, para provar a viabilidade tecnológica e econômica do processo", afirma o pesquisador no artigo original.

O sucesso desta empreitada pode não apenas baratear o hidrogênio verde, tornando-o competitivo com os combustíveis fósseis, mas também solidificar o papel dos biocombustíveis como um pilar central da transição energética global, promovendo um futuro onde energia limpa e justiça social caminhem lado a lado, impulsionadas pela inovação.


Bibliografia

AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO, GÁS NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEIS (ANP). Anuário Estatístico Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Rio de Janeiro: ANP, [ano mais recente disponível]. Disponível em: [site da ANP]. Acesso em: 25 jun. 2025.

LI, Jingshan et al. Glycerol electrolysis for hydrogen production. [Nome do Periódico Científico], [Cidade da publicação], v. [volume], n. [número], p. [páginas], [mês] 2025. Nota: A referência completa do artigo científico original deve ser inserida aqui assim que os detalhes da publicação estiverem disponíveis.

INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. Glicerina supera muito a água na produção de hidrogênio verde. Inovação Tecnológica, 25 jun. 2025. Disponível em: https://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=glicerina-supera-muito-agua-producao-hidrogenio-verde&id=010115250625. Acesso em: 25 jun. 2025.


Créditos e Direitos Autorais

Repórter: Fabiano C. Prometi Editor Chefe: Fabiano C. Prometi

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