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A Copa que apostou contra o torcedor: algoritmos, bets e o que a escola ainda não ensinou

A Copa que apostou contra o torcedor: algoritmos, bets e o que a escola ainda não ensinou Raquel Lobão , Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Raquel Timponi , Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) No dia 22 de junho de 2026, enquanto Argentina e Áustria disputavam uma vaga na segunda fase da Copa do Mundo, os narradores da CazéTV (canal de streaming que detém os direitos de exibição dos 104 jogos do torneio no YouTube) recomendavam, em tempo real, que os telespectadores apostassem na Betnacional, que havia elevado suas odds (possibilidades de retorno da aposta) de 3 para 4 vezes o dinheiro apostado. A cena se repetiria em outros jogos: na partida entre a Espanha e Cabo Verde, um comentarista destacou que a casa de apostas KTO pagaria R$ 3,10 por cada real apostado se fossem marcados ao menos cinco gols. O jogo terminou 0 a 0. A repercussão negativa desse tipo de propaganda no meio dos jogos se alastrou rapidamente. Na segunda semana da Copa, o Depa...

A Nova Rota da Seda Sul-Americana: Como a Parceria Brasil-China Redefine o Comércio Global

A Nova Rota da Seda Sul-Americana: Como a Parceria Brasil-China Redefine o Comércio Global

Por Fabiano C. Prometi, Editor-Chefe, Horizontes do Desenvolvimento - Inovação, Política e Justiça Social

Em um cenário de incertezas e reconfiguração geopolítica, onde a globalização é questionada e as tensões comerciais entre as grandes potências se intensificam, a relação entre Brasil e China emerge como um dos pilares mais sólidos e dinâmicos do comércio internacional. 🤝 Esta parceria, que transcende a mera troca de commodities, está cada vez mais enraizada e estratégica, sinalizando uma nova era de desenvolvimento e influência mútua que desafia a ordem econômica tradicional.

A história da aproximação comercial entre Brasil e China é relativamente recente, mas sua ascensão foi meteórica. Se no início dos anos 2000 o comércio bilateral era incipiente, em 2009 a China já se tornava o principal parceiro comercial do Brasil, superando os Estados Unidos. Desde então, essa liderança se consolidou, impulsionada pela voraz demanda chinesa por matérias-primas e alimentos para sustentar seu crescimento econômico e sua população de 1,4 bilhão de pessoas. 📈 O Brasil, por sua vez, encontrou na China um mercado gigantesco e resiliente para sua produção agrícola e mineral, se especializando na exportação de produtos como soja, minério de ferro e carne.

No entanto, a relação bilateral vai muito além do agronegócio e da mineração. Nos últimos anos, a parceria se aprofundou e diversificou, abrangendo setores como tecnologia, infraestrutura e finanças. A China é hoje o maior investidor estrangeiro no Brasil, com aportes significativos em energia, telecomunicações e logística. Empresas chinesas como a State Grid, com sua participação massiva em projetos de transmissão de energia elétrica, e a BYD, que investe na produção de carros elétricos no Brasil, demonstram a confiança no mercado brasileiro e a busca por cadeias de valor mais integradas. 🏭

A reconfiguração do comércio global, com o surgimento de blocos econômicos e o questionamento do modelo multilateral, fortalece a relação sino-brasileira. Enquanto nações ocidentais adotam políticas de "nearshoring" (trazer a produção para perto de casa) ou de "friendshoring" (comércio com aliados geopolíticos), a China, com sua Iniciativa do Cinturão e Rota (Belt and Road Initiative - BRI), busca expandir sua influência global através de investimentos em infraestrutura e conectividade. O Brasil, embora não seja um membro formal da BRI, se beneficia e alavanca essa estratégia chinesa para atrair capital e desenvolver projetos estratégicos.

Análises de dados do Comex Stat, sistema de estatísticas de comércio exterior do governo brasileiro, mostram que, em 2023, o superávit comercial do Brasil com a China atingiu a marca recorde de mais de US$ 50 bilhões. Esse excedente é crucial para a balança comercial brasileira e para a estabilidade da sua economia. Um estudo recente da Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que a resiliência do comércio com a China foi um fator determinante para a recuperação econômica do Brasil pós-pandemia, mitigando os efeitos da desaceleração global. 📊

Em entrevista a esta reportagem, o Dr. Carlos Alberto Santos, professor de Economia Internacional da Universidade de São Paulo (USP), destaca o caráter estratégico da parceria. "A China não é apenas um cliente, mas um parceiro. Os investimentos chineses em infraestrutura, por exemplo, não se limitam à compra de ativos, mas visam a criação de cadeias logísticas mais eficientes que beneficiam o escoamento da produção brasileira. Essa é uma nova dinâmica, que exige do Brasil um alinhamento político e econômico inteligente, capaz de atrair investimentos sem comprometer a soberania", pondera o especialista.

A diversificação da pauta de exportações brasileira para a China, que historicamente foi concentrada em poucos produtos, é um dos principais desafios. Embora o agronegócio continue sendo o carro-chefe, há um esforço crescente para incluir produtos de maior valor agregado, como manufaturados, e para atrair investimentos em tecnologia e inovação. A cooperação em áreas como a exploração espacial, com a parceria para o desenvolvimento de satélites, e o intercâmbio científico em biotecnologia e energias renováveis, mostram a busca por uma relação mais complexa e sofisticada. 🛰️

Apesar dos benefícios evidentes, aprofundamento da relação com a China também levanta questões e exige cautela. Críticos apontam para o risco da "primarização" da economia brasileira, que poderia frear o desenvolvimento industrial e a inovação tecnológica. A dependência excessiva de um único parceiro comercial, por mais robusto que seja, também pode gerar vulnerabilidades em caso de crises geopolíticas ou econômicas. A necessidade de equilibrar as relações com outros parceiros estratégicos, como os Estados Unidos e a União Europeia, é crucial para uma política externa pragmática e soberana.

Em conclusão, a parceria Brasil-China está se tornando uma das mais importantes do século XXI. Em um mundo de blocos e protecionismo, essa aliança demonstra que o comércio e a cooperação podem ser ferramentas poderosas para o desenvolvimento e a estabilidade. O estreitamento dos laços comerciais e de investimento, impulsionado por uma reconfiguração do poder global, coloca o Brasil em uma posição estratégica, capaz de influenciar e se beneficiar de um novo modelo de comércio internacional. A consolidação dessa parceria não é apenas uma notícia econômica, mas um reflexo da complexa e fascinante geopolítica do nosso tempo. 🗺️


Bibliografia

  • COMEX STAT. Estatísticas de Comércio Exterior do Brasil. Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Disponível em: https://comexstat.mdic.gov.br/. Acesso em: 20 out. 2025.

  • FGV. Comércio Exterior do Brasil e a China: Uma Análise da Parceria Estratégica. Fundação Getulio Vargas, 2024.

  • SANTOS, Carlos Alberto. A Geopolítica do Comércio: O Brasil na Encruzilhada Global. 1. ed. São Paulo: Editora USP, 2023.

  • VIANA, Fabrício. Investimentos Estrangeiros no Brasil: O Papel da China. Revista de Economia e Desenvolvimento, v. 15, n. 2, p. 45-67, 2024.


Este artigo foi escrito por Fabiano C. Prometi, editor-chefe do "Horizontes do Desenvolvimento - Inovação, Política e Justiça Social". O conteúdo é de propriedade do "Horizontes do Desenvolvimento" e sua reprodução ou divulgação deverá ser feita com a autorização prévia da equipe editorial. Licença: Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

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