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A Copa que apostou contra o torcedor: algoritmos, bets e o que a escola ainda não ensinou

A Copa que apostou contra o torcedor: algoritmos, bets e o que a escola ainda não ensinou Raquel Lobão , Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Raquel Timponi , Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) No dia 22 de junho de 2026, enquanto Argentina e Áustria disputavam uma vaga na segunda fase da Copa do Mundo, os narradores da CazéTV (canal de streaming que detém os direitos de exibição dos 104 jogos do torneio no YouTube) recomendavam, em tempo real, que os telespectadores apostassem na Betnacional, que havia elevado suas odds (possibilidades de retorno da aposta) de 3 para 4 vezes o dinheiro apostado. A cena se repetiria em outros jogos: na partida entre a Espanha e Cabo Verde, um comentarista destacou que a casa de apostas KTO pagaria R$ 3,10 por cada real apostado se fossem marcados ao menos cinco gols. O jogo terminou 0 a 0. A repercussão negativa desse tipo de propaganda no meio dos jogos se alastrou rapidamente. Na segunda semana da Copa, o Depa...

Crise Climática e Colapso da Governança Global: O impasse que ameaça o futuro do planeta 🌍



Horizontes do Desenvolvimento – Inovação, Política e Justiça Social
📅 10 de novembro de 2025


Crise Climática e Colapso da Governança Global: O impasse que ameaça o futuro do planeta 🌍

Por Fabiano C. Prometi
Editor-chefe: Fabiano C. Prometi


O debate climático internacional, outrora símbolo de cooperação e esperança em torno de um futuro sustentável, tornou-se o espelho de uma crise mais profunda: o colapso da governança global. Às vésperas da COP-30 em Belém, cresce a percepção de que os fóruns multilaterais, concebidos para coordenar esforços entre as nações, estão sendo corroídos por interesses econômicos, rivalidades geopolíticas e o enfraquecimento das instituições internacionais.

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP), criada em 1995, representou o ápice do ideal de governança multilateral. No entanto, três décadas depois, os resultados concretos são insuficientes diante da urgência climática. O planeta ultrapassou, em 2023, pela primeira vez na história registrada, o limite de 1,5°C de aquecimento global em relação à era pré-industrial (NOAA, 2024). Enquanto isso, as emissões globais de dióxido de carbono atingiram 36,8 bilhões de toneladas em 2024, segundo o Global Carbon Project.

Esses números expõem o paradoxo central: nunca se falou tanto em sustentabilidade, mas nunca se emitiu tanto carbono. Essa dissonância reflete uma crise estrutural na arquitetura da governança internacional — uma estrutura desenhada no pós-Segunda Guerra Mundial, hoje incapaz de lidar com os desafios transnacionais do século XXI.


O fracasso da arquitetura multilateral

A Organização das Nações Unidas (ONU) e suas agências associadas, incluindo a Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima (UNFCCC), enfrentam crescente descrédito. A lógica da soberania nacional impede decisões vinculantes, e os mecanismos de financiamento climático permanecem reféns da boa vontade dos países ricos.

O Fundo Verde para o Clima, lançado com a promessa de destinar US$ 100 bilhões anuais a países em desenvolvimento, continua longe de atingir sua meta. Em 2024, o montante efetivamente desembolsado foi de apenas US$ 48 bilhões (OCDE, 2025).

As nações do Sul Global, especialmente da América Latina e da África, denunciam o duplo padrão das potências industriais: exigem metas ambiciosas de descarbonização, mas mantêm subsídios bilionários a combustíveis fósseis e impõem barreiras econômicas a produtos de países emergentes sob o pretexto ambiental. Essa contradição é o que o economista indiano Amitav Acharya (2023) define como “a assimetria moral da governança climática”.


O novo cenário geopolítico do clima

O enfrentamento climático tornou-se também um campo de disputa estratégica. De um lado, Estados Unidos, União Europeia e Japão buscam liderar a transição energética por meio de investimentos em tecnologias limpas e controle das cadeias produtivas. De outro, China e Índia defendem o princípio das “responsabilidades comuns, porém diferenciadas”, argumentando que o fardo histórico das emissões recai sobre o Norte global.

No meio desse tabuleiro, emergem países como o Brasil, a Indonésia e a África do Sul, que tentam conciliar crescimento econômico com conservação ambiental. O Brasil, em particular, volta ao protagonismo internacional ao sediar a COP-30 em Belém — evento que carrega enorme simbolismo político e ambiental.

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o desmatamento na Amazônia caiu 42,5% entre 2023 e 2024, reflexo do retorno das políticas de fiscalização e controle. Ainda assim, o bioma segue sob ameaça, pressionado por garimpo ilegal, agronegócio predatório e infraestrutura sem critérios socioambientais.


Tecnologia, justiça e transição energética

A inovação tecnológica é frequentemente apontada como solução, mas ela sozinha não resolverá a crise. A transição energética — da matriz fóssil para fontes renováveis — exige não apenas ciência, mas justiça social e reestruturação econômica.

As tecnologias de captura de carbono, hidrogênio verde e energia solar de nova geração representam avanços notáveis, mas concentram-se em países ricos e grandes corporações. O risco é que se reproduza o mesmo padrão de desigualdade: “a economia verde como novo extrativismo”, nas palavras da socióloga colombiana Maristella Svampa (2024).

Para o Sul Global, a questão central não é apenas como descarbonizar, mas quem paga a conta dessa transição. O economista brasileiro Ricardo Abramovay (2023) argumenta que “a sustentabilidade só será real quando for economicamente inclusiva e politicamente democrática”.


O espelho da crise: entre o discurso e a ação

O debate climático é, portanto, o reflexo de uma crise civilizatória mais ampla: a incapacidade de articular ação coletiva em um mundo fragmentado. Governos, corporações e cidadãos reconhecem o problema, mas poucos estão dispostos a enfrentar as mudanças estruturais necessárias.

A COP-30 pode representar um ponto de inflexão — ou mais um capítulo da paralisia global. O desafio não é apenas técnico, mas político: reconstruir a confiança na cooperação internacional e redefinir o papel dos Estados na governança planetária.

Se o aquecimento global é um espelho, o que ele nos mostra é que a verdadeira temperatura do planeta não está apenas no termômetro climático, mas na febre moral da humanidade.


Bibliografia (ABNT)

ACHARYA, Amitav. Global Governance in a Multipolar World: Beyond Liberal Internationalism. Oxford: Oxford University Press, 2023.

ABRAMOVAY, Ricardo. Amazônia: por uma economia do conhecimento da natureza. São Paulo: Companhia das Letras, 2023.

NOAA – National Oceanic and Atmospheric Administration. Global Climate Report – Annual 2024. Washington, D.C.: U.S. Department of Commerce, 2024. Disponível em: https://www.noaa.gov/. Acesso em: 10 nov. 2025.

OCDE – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Climate Finance Provided and Mobilised by Developed Countries in 2024. Paris: OECD Publishing, 2025. Disponível em: https://www.oecd.org/. Acesso em: 10 nov. 2025.

SVAMPA, Maristella. El Antropoceno desde el Sur: Crisis civilizatoria, transición y justicia ecológica. Buenos Aires: Siglo XXI Editores, 2024.


Créditos e Direitos Autorais

📜 Reportagem de Fabiano C. Prometi
Edição e revisão: Equipe Editorial – Horizontes do Desenvolvimento
📚 Conteúdo de propriedade do blog Grandes Inovações Tecnológicas.
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