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A Copa que apostou contra o torcedor: algoritmos, bets e o que a escola ainda não ensinou

A Copa que apostou contra o torcedor: algoritmos, bets e o que a escola ainda não ensinou Raquel Lobão , Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Raquel Timponi , Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) No dia 22 de junho de 2026, enquanto Argentina e Áustria disputavam uma vaga na segunda fase da Copa do Mundo, os narradores da CazéTV (canal de streaming que detém os direitos de exibição dos 104 jogos do torneio no YouTube) recomendavam, em tempo real, que os telespectadores apostassem na Betnacional, que havia elevado suas odds (possibilidades de retorno da aposta) de 3 para 4 vezes o dinheiro apostado. A cena se repetiria em outros jogos: na partida entre a Espanha e Cabo Verde, um comentarista destacou que a casa de apostas KTO pagaria R$ 3,10 por cada real apostado se fossem marcados ao menos cinco gols. O jogo terminou 0 a 0. A repercussão negativa desse tipo de propaganda no meio dos jogos se alastrou rapidamente. Na segunda semana da Copa, o Depa...

Hélices Contrarrotativas: A Revolução Silenciosa que Pode Reduzir o Consumo de Navios

Hélices Contrarrotativas: A Revolução Silenciosa que Pode Reduzir o Consumo de Navios

Data de publicação: 25 de novembro de 2025


Em um momento em que a indústria naval se vê pressionada por metas cada vez mais ambiciosas de sustentabilidade ambiental, a inovação tecnológica surge como ferramenta indispensável para responder a esse desafio. Uma dessas inovações, embora antiga na concepção, tem ganhado novo impulso: o uso de hélices contrarrotativas – isto é, duas hélices girando em sentidos opostos – no sistema de propulsão de navios. A aplicação de tal tecnologia promete ganhos de eficiência energética, redução de ruído e menor emissão de poluentes, mas não está isenta de desafios técnicos e econômicos. Nesta reportagem para o site Horizontes do Desenvolvimento – Inovação, Política e Justiça Social, conduzida por mim, Fabiano C. Prometi, exploro a gênese da tecnologia, os avanços recentes e suas implicações para o futuro do transporte marítimo.

A gênese da tecnologia

A ideia de hélices contrarrotativas (em inglês, counter-rotating propellers, ou CRP) não é nova. Sistemas similares foram estudados já nas décadas passadas, especialmente para aeronaves e embarcações especializadas — a lógica fundamental consiste em recuperar a energia perdida pela hélice dianteira, aproveitando o fluxo giratório criado por ela. A hélice traseira, girando no sentido oposto, “recicla” parte desse fluxo, reduzindo as perdas associadas ao redemoinho gerado. Wikipedia+2lambosmaritime.gr+2

No setor marítimo, já há registros de aplicações históricas: por exemplo, projetos de pesquisa como os do Joules Project apontaram melhorias de eficiência de até 15 % em alguns navios usando CRP. joules-project.eu No entanto, durante muitos anos, os altos custos de implementação – relacionados à complexidade mecânica, projeto de eixo coaxial (“shaft-in-shaft”) e manutenção – impediram uma adoção mais ampla. SINTEF+2wxrefine.com+2

Os ganhos recentes e seu impulso

O ressurgimento desse conceito tecnológico nas margens da sustentabilidade é evidenciado pelo recente projeto Sea Zero, liderado pela empresa norueguesa Brunvoll em parceria com o instituto de pesquisa SINTEF. SINTEF Segundo relatos, ensaios em túnel de cavitação demonstraram que o sistema de hélices contrarrotativas pode proporcionar uma eficiência de propulsão mais de 10% superior à das hélices convencionais. technology.org+1 Esse ganho se deve, em parte, à recuperação de energia no fluxo de água gerado pela hélice dianteira, combinada com um escoamento otimizado pela hélice traseira. SINTEF

Adicionalmente, segundo a SINTEF, a tecnologia está agora madura para uso mais generalizado, rompendo antigas barreiras que antes limitavam sua aplicação comercial. SINTEF A Brunvoll afirma ainda que seu design é mais eficiente do que as hélices contrarrotativas que existiam anteriormente, graças a melhorias no projeto e no balanço de operadores de fluxo. technology.org

Outra vantagem importante é a redução de ruído e vibração. A configuração contrarrotativa permite dividir a carga entre duas hélices menores (em vez de uma grande), o que reduz a carga nas pás e diminui a emissão de ruído e vibração — um ponto particularmente importante para navios de passageiros ou embarcações costeiras onde o conforto e a poluição sonora são preocupações centrais. currentmotion.nl+1

Limitações e desafios

Apesar dos avanços, a adoção dessa tecnologia não é trivial. Um dos principais obstáculos é o custo elevado: a implementação de um sistema CRP requer uma engenharia mais sofisticada, como eixos coaxiais complexos (“shaft-in-shaft”), caixas de engrenagem especializadas e manutenção especializada. Intel Market Research+1

Além disso, há desafios de manutenção: sistemas contrarrotativos aumentam o número de partes móveis, o que eleva a necessidade de inspeções, lubrificação e possíveis reparos. wxrefine.com Também pode haver ruído adicional em certas condições devido à interação complexa entre as hélices, exigindo soluções de isolamento acústico ou amortecimento, o que aumentaria ainda mais os custos. wxrefine.com

Do ponto de vista estrutural, segundo o Energy Efficiency & Decarbonization Technical Guide da Marinha dos EUA, o uso desses sistemas exige reforço no sistema de transmissão (rolamentos mais robustos, eixo reforçado), o que pode elevar o peso e gerar exigências de projeto que nem sempre são viáveis para todos os navios. Administração Marítima

Contexto global e tendências

A adoção de hélices contrarrotativas acontece em um momento mais amplo de transformação no setor marítimo. Com a crescente pressão para reduzir as emissões de CO₂ e a busca por combustíveis mais limpos, a eficiência energética tornou-se um imperativo. Projetos como o Sea Zero refletem essa tendência. SINTEF

Em mercados globais, temos exemplos de fabricantes que já vendem estes sistemas: por exemplo, a Veth Propulsion oferece unidades Z-drive com hélices contrarrotativas, afirmando ganhos de eficiência entre 15% e 20% em comparação a hélices simples. NauticExpo A empresa também destaca que a configuração permite hélices de diâmetro menor e menor ruído, vantagens importantes em ambientes restritivos ou sensíveis. Twin Disc

Por outro lado, estudos de mercado apontam que o custo elevado continua sendo uma barreira relevante. Um relatório da Intel Market Research indica que sistemas CRP podem ter um acréscimo de 30% a 40% no custo da propulsão em comparação a sistemas tradicionais, especialmente para navios comerciais operando com margens apertadas. Intel Market Research

Implicações sociais, econômicas e ambientais

Ambiental

Os ganhos de eficiência traduzem-se diretamente em menor consumo de combustível, o que impacta positivamente na redução de emissões — especialmente relevante para frotas que ainda operam com combustíveis fósseis. A economia de energia também pode acelerar a transição para navios híbridos ou movidos por fontes limpas, porque menos energia desperdiçada significa menos exigência para compensar perdas.

Econômico

Embora o custo inicial seja alto, o payback pode se justificar em navios de alta demanda ou rotas longas, onde a economia de combustível e manutenção compensa o investimento. Além disso, a redução do consumo operacional pode tornar rotas mais rentáveis, especialmente sob pressões regulatórias de carbono ou incentivos fiscais para navios limpos.

Social

Menor ruído e vibração melhoram o conforto para tripulantes e passageiros, o que pode ser um diferencial para cruzeiros, balsas ou navios costeiros. Além disso, ao tornar a navegação mais eficiente, a tecnologia pode contribuir para uma redução de impacto ambiental em comunidades costeiras e ecossistemas marinhos.

Político

Governos e organismos reguladores têm papel estratégico: políticas de incentivo à eficiência energética — por exemplo, subsídios para navios com propulsão avançada ou penalidades para emissões — podem acelerar a adoção de hélices contrarrotativas. Também é possível imaginar regimes regulatórios que exijam avaliações de ciclo de vida para propulsão, favorecendo tecnologias mais limpas.

Perspectivas futuras

A engenharia de hélices contrarrotativas parece ter entrado em uma nova fase. Com os sucessos dos testes da SINTEF para o projeto Sea Zero, o caminho está aberto para uma aplicação mais ampla em navios comerciais, especialmente em embarcações que valorizam eficiência, ruído reduzido e sustentabilidade. SINTEF

Prevê-se que, com a maturação da tecnologia, os custos vão cair: à medida que mais navios forem projetados com CRP e mais fornecedores entrarem no mercado, haverá escala de produção, padronização de projetos e melhorias nas cadeias de manutenção. Se isso se concretizar, poderemos ver uma adoção significativa em frotas de curto e médio curso.

Entretanto, para que a tecnologia se torne mainstream, serão necessários esforços coordenados entre indústria naval, centros de pesquisa e políticas públicas. Incentivos regulatórios, financiamento para navios mais limpos, e programas de P&D serão decisivos para superar a barreira inicial de custo e complexidade.

Conclusão crítica

As hélices contrarrotativas representam uma tecnologia promissora e cada vez mais relevante para um setor marítimo em transição. Seus benefícios em termos de eficiência energética, redução de ruído e menor impacto ambiental estão alinhados com os imperativos da justiça social e da sustentabilidade. Contudo, não se pode ignorar os desafios: o custo elevado, a complexidade mecânica e a manutenção especializada continuam sendo obstáculos consideráveis para a adoção em larga escala.

Para que essa inovação não permaneça apenas como uma curiosidade de laboratórios, é necessário um compromisso estratégico mais amplo — envolvendo indústria, academia e governos — para transformar o potencial tecnológico em impacto real e positivo. No fim das contas, a ruptura não está apenas nas hélices, mas na vontade política e econômica de promover um desenvolvimento marítimo mais justo, eficiente e ambientalmente responsável.


Repórter: Fabiano C. Prometi
Editor-chefe: Fabiano C. Prometi

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Referências bibliográficas (ABNT):

BroadTech Engineering. Contra-Rotating Propellers Design Singapore. BroadTech Engineering, s.d. Disponível em: https://broadtechengineering.com/contra-rotating-propellers-design/. Acesso em: 25 nov. 2025.

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Joules Project. Consumption and Propulsion: Counter-Rotating Propulsion System. Joules, s.d. Disponível em: https://www.joules-project.eu/Joules/technologies/consumption_propulsion. Acesso em: 25 nov. 2025.

Krogness, Øyvind Rabliås; Johannessen, Jahn Terje; Larsson-Fedde, Gerry. “This Is How Two Contra-Rotating Propellers Can Make Ships More Energy Efficient”. SINTEF, 10 nov. 2025. Disponível em: https://www.sintef.no/en/latest-news/2025/this-is-how-two-contra-rotating-propellers-can-make-ships-more-energy-efficient/. Acesso em: 25 nov. 2025.

Nexus Marines. “What are the Benefits of a Contra-Rotating Ship Propeller?”. Nexus-Marines Blog, s.d. Disponível em: https://www.nexus-marines.com/blog/what-are-the-benefits-of-a-contra-rotating-ship-propeller-124786.html. Acesso em: 25 nov. 2025.

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Veth Propulsion. Veth-Rudder Propellers – CR Unit Brochure. Twindisc / Veth Propulsion, s.d. Disponível em: https://twindisc.com/wp-content/uploads/2019/01/1908_Brochure_Veth-Rudder-Propellers-web.pdf. Acesso em: 25 nov. 2025.



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