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A Copa que apostou contra o torcedor: algoritmos, bets e o que a escola ainda não ensinou

A Copa que apostou contra o torcedor: algoritmos, bets e o que a escola ainda não ensinou Raquel Lobão , Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Raquel Timponi , Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) No dia 22 de junho de 2026, enquanto Argentina e Áustria disputavam uma vaga na segunda fase da Copa do Mundo, os narradores da CazéTV (canal de streaming que detém os direitos de exibição dos 104 jogos do torneio no YouTube) recomendavam, em tempo real, que os telespectadores apostassem na Betnacional, que havia elevado suas odds (possibilidades de retorno da aposta) de 3 para 4 vezes o dinheiro apostado. A cena se repetiria em outros jogos: na partida entre a Espanha e Cabo Verde, um comentarista destacou que a casa de apostas KTO pagaria R$ 3,10 por cada real apostado se fossem marcados ao menos cinco gols. O jogo terminou 0 a 0. A repercussão negativa desse tipo de propaganda no meio dos jogos se alastrou rapidamente. Na segunda semana da Copa, o Depa...

Reciclagem Química do PET: a Revolução Sustentável que Pode Fechar o Ciclo do Plástico

Reciclagem Química do PET: a Revolução Sustentável que Pode Fechar o Ciclo do Plástico

Data da Publicação: 19 de novembro de 2025


No panorama contemporâneo da sustentabilidade, a reciclagem química do PET (polietileno tereftalato) emerge como uma das apostas mais promissoras para enfrentar a crise global dos plásticos. Em termos técnicos e sociais, trata-se de uma inovação estratégica que perpassa desde laboratórios até fábricas, com profundas implicações políticas, econômicas e ambientais. Esta reportagem, para o site Horizontes do Desenvolvimento – Inovação, Política e Justiça Social, com a assinatura do repórter Fabiano C. Prometi, explora os meandros dessa tecnologia, seus desafios e seu potencial transformador.

A reciclagem tradicional do PET, conhecida como mecânica, consiste em coletar garrafas usadas, lavá-las, triturá-las em flocos (flakes) e reprocessá-las para produzir novos produtos. No entanto, esse processo degrada gradualmente a qualidade do material, limitando repetidas reutilizações. Já a reciclagem química — ou terciária — vai além: por meio de reações químicas, ela desconstrói o polímero até seus blocos moleculares básicos (monômeros), possibilitando a produção de PET com qualidade equivalente ao virgem. cefic.org+2chemistry-europe.onlinelibrary.wiley.com+2

A gênese dessa tecnologia remonta a décadas de pesquisa em química de polímeros, mas só recentemente ganhou impulso industrial e comercial expressivo. Entre os métodos mais comuns de despolimerização estão a glicólise, a hidrólise e a metanólise, cada uma com vantagens e limitações. chemistry-europe.onlinelibrary.wiley.com+2ccnh.ufabc.edu.br+2 Por exemplo, a hidrólise alcalina (em meio básico) permite a recuperação do ácido tereftálico (PTA), um dos monômeros originais do PET — conforme demonstrado em estudos a temperaturas relativamente baixas. Periodikos Por outro lado, processos como o da empresa Gr3n aplicam micro-ondas para acelerar a despolimerização, tratando resíduos coloridos ou contaminados e retornando a monômeros puros (TPA e etilenoglicol, MEG), prontos para serem repolimerizados sem perda de qualidade. GR3N | A new recycling concept+1

Um marco recente ocorreu em outubro de 2024, quando a Axens, em parceria com a IFPEN e a japonesa JEPLAN, lançou comercialmente o processo Rewind® PET, após testes bem-sucedidos em escala semi-industrial. IFPEN+1 O processo envolve glicólise contínua e purificação profunda do monômero BHET (bis(hidroxietil) tereftalato), separando aditivos e corantes para gerar um monômero tão puro que pode voltar a plantas de polimerização convencionais — uma prova de que a reciclagem química pode se integrar à infraestrutura industrial já existente. IFPEN

No Brasil, embora a reciclagem química ainda seja pouco difundida, o contexto institucional e de mercado é favorável para sua expansão. O 13º Censo da Reciclagem de PET no Brasil, realizado pela ABIPET, reportou que em 2024 foram recicladas 410 mil toneladas de PET pós-consumo — um crescimento de 14% em relação a 2022. abipet.org.br+2UOL Notícias+2 Ainda assim, a despeito desse avanço, 23% da capacidade das recicladoras ficou ociosa em média, chegando a picos de 40% — segundo a própria ABIPET, por causa da falta de coleta seletiva eficiente. O Dia Esse dado revela um paradoxo: há demanda tecnológica e científica por inovação, mas persistem gargalos logísticos e estruturais que limitam o aproveitamento total da cadeia de reciclagem.

Por que isso importa? A reciclagem química é mais do que um truque de laboratório: ela representa uma rota eficaz para fechar o ciclo do plástico, avançando na economia circular. Ao permitir a depolimerização completa, essa tecnologia evita a degradação da qualidade do material reciclado e oferece um monômero “virgem-quase” para fabricar novos produtos. Isso tem impacto direto nas emissões de carbono — especialmente porque evita o uso de matéria-prima fóssil — e contribui para a diminuição de resíduos enviados a aterros.

No cenário global, outras iniciativas também sinalizam o potencial transformador da reciclagem química. A empresa francesa Carbios, por exemplo, desenvolveu enzimas que quebram o PET em suas unidades básicas rapidamente, uma abordagem biotecnológica que complementa os métodos químicos convencionais. Wikipédia+1 Já no âmbito catalítico, pesquisas recentes investigam fotocatálise: estudos teóricos e experimentais mostram que certos óxidos de alta entropia podem, sob luz, degradar resíduos de PET e produzir hidrogênio limpo. arXiv+1 Além disso, avanços em inteligência artificial ampliam horizontes: há protocolos que geram copolímeros similares ao PET, mas otimizados para menor pegada ambiental e maior reciclabilidade futura. arXiv

Contudo, os riscos e desafios não são triviais. Primeiro, a eficiência energética: muitos processos químicos ainda demandam temperaturas elevadas ou pressões altas, o que pode comprometer os ganhos ambientais se a fonte de energia não for limpa. ccnh.ufabc.edu.br Segundo, a economia de escala: plantas como a Rewind® PET precisam de volume de resíduos consistente para operar com viabilidade financeira. Terceiro, a política pública: sem coleta seletiva eficiente, sem incentivos regulatórios e sem infraestrutura para triagem, a tecnologia corre o risco de ficar restrita a nichos ou depender de subsídios. No Brasil, por exemplo, a ociosidade reportada pelas recicladoras aponta para essa fragilidade estrutural. UOL Notícias+1 Por fim, há a questão social: muitos catadores e cooperativas de reciclagem temem que a automação e a industrialização da reciclagem química desvalorize seu trabalho ou concentre lucros em grandes empresas químicas.

Apesar dessas tensões, o avanço da reciclagem química do PET representa uma virada estratégica no debate sobre sustentabilidade, justiça social e inovação. Para que seu potencial seja plenamente realizado, será necessário um esforço conjunto: governos, empresas químicas, indústrias de bens de consumo, cooperativas de recicladores e a sociedade civil. Políticas que estimulem a coleta seletiva, investimentos em tecnologia limpa e acordos que valorizem a inclusão social são fundamentais para que a promessa da economia circular se torne realidade — não apenas nos laboratórios, mas nas comunidades.


Nota de Rodapé
Reportagem elaborada por Fabiano C. Prometi, repórter, com revisão editorial da equipe do Horizontes do Desenvolvimento – Inovação, Política e Justiça Social.

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Bibliografia

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Fonseca, Talitha Granja; De Almeida, Yeda Medeiros Bastos; Vinhas, Glória M. Reciclagem Química do PET Pós-consumo: Caracterização Estrutural do Ácido Tereftálico e Efeito da Hidrólise Alcalina em Baixa Temperatura. Polímeros: Ciência e Tecnologia, vol. 24, n. 5, p. 567–571, 2014. Periodikos
Martinbianco, B. Reciclagem química do PET: avaliação das principais metodologias de despolimerização. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), 2022. Lume
Santos, C. M. A.; et al. Processo de reciclagem química de PET em meio alcalino. Revista Matéria, 2018. (Processo de despolimerização via hidrólise) SciELO
Pereira, Ewerton Luiz Santos. Química Circular e o Reaproveitamento do PET. Trabalho de Conclusão de Curso – Universidade Federal do ABC (UFABC), 2023. ccnh.ufabc.edu.br
Axens; IFPEN; JEPLAN. Launch of the commercialization of the Rewind® PET process. Press release, 22 out. 2024. IFPEN
Gr3n SA. Technologies – MADE: Microwave-Assisted Depolymerization. Website institucional. Acesso em 18 nov. 2025. GR3N | A new recycling concept
Carbios. CARBIOS celebra inauguração de planta de bioreciclagem de PET. Comunicado, abr. 2024. carbios.com
European Chemical Industry Council (CEFIC). Chemical Recycling: Making Plastics Circular. Acesso em 18 nov. 2025. cefic.org

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