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A Copa que apostou contra o torcedor: algoritmos, bets e o que a escola ainda não ensinou

A Copa que apostou contra o torcedor: algoritmos, bets e o que a escola ainda não ensinou Raquel Lobão , Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Raquel Timponi , Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) No dia 22 de junho de 2026, enquanto Argentina e Áustria disputavam uma vaga na segunda fase da Copa do Mundo, os narradores da CazéTV (canal de streaming que detém os direitos de exibição dos 104 jogos do torneio no YouTube) recomendavam, em tempo real, que os telespectadores apostassem na Betnacional, que havia elevado suas odds (possibilidades de retorno da aposta) de 3 para 4 vezes o dinheiro apostado. A cena se repetiria em outros jogos: na partida entre a Espanha e Cabo Verde, um comentarista destacou que a casa de apostas KTO pagaria R$ 3,10 por cada real apostado se fossem marcados ao menos cinco gols. O jogo terminou 0 a 0. A repercussão negativa desse tipo de propaganda no meio dos jogos se alastrou rapidamente. Na segunda semana da Copa, o Depa...

Misturar bebidas não agrava ressaca — e por que esse mito persiste

Misturar bebidas não agrava ressaca — e por que esse mito persiste

02 de dezembro de 2025

Nas conversas de bar, festas ou rodas entre amigos, é quase inevitável ouvir a advertência: “não misture as bebidas, senão a ressaca vai ser pior”. Embora pareça uma sabedoria popular consolidada, a evidência científica não confirma essa afirmação. Ao contrário: tudo indica que → o que realmente importa para a intensidade da ressaca é a quantidade total de álcool consumido, e não a mistura de bebidas diferentes. Super+2niaaa.nih.gov+2

A origem desse mito talvez esteja ligada à percepção subjetiva: quem “mistura” tende a perder a noção da quantidade de álcool ingerida — combinando cerveja, vinho, destilados e coquetéis. Isso favorece episódios de embriaguez mais profunda e ressacas mais fortes. The Times of India+1

Especialistas afirmam que o agente real da ressaca é o etanol, independentemente da bebida, e sua quantidade total. Também influem — de modo complementar — fatores como hidratação, alimentação, velocidade de consumo, sono, e substâncias residuais presentes em algumas bebidas, chamadas “congêneres” (produtos da fermentação ou destilação), que podem agravar sintomas como dor de cabeça ou náusea. Super+2Livestrong+2

Cientificamente, a distinção entre cerveja, vinho, destilados ou coquetéis não altera a forma como o corpo metaboliza o etanol. Diversos estudos — como os mencionados por órgãos de saúde — indicam que a ressaca é proporcional à dose de álcool consumida, à rapidez com que é ingerido e ao histórico individual de saúde, e não à combinação de diferentes bebidas. niaaa.nih.gov+1

Isso não significa que todos os tipos de álcool causem o mesmo grau de ressaca: bebidas mais escuras ou com maior incidência de congêneres (como uísque, bourbon ou vinho tinto) podem aumentar a probabilidade de desconforto no dia seguinte — mesmo se ingeridas isoladamente ou em mistura. Super+2Livestrong+2

Quando o mito persiste, ele exerce um papel social importante: atua como aviso informal, meio de moderação ou regra não escrita para evitar abusos. Em sociedades na qual o consumo excessivo de álcool costuma ocorrer em espaços coletivos — como festas, bares, baladas — essa narrativa acaba funcionando como um elemento cultural de autocontrole. Mas é um controle baseado em crença, não em evidência.

Do ponto de vista da saúde pública e da educação sanitária, o entendimento correto desses mecanismos é relevante: centrar a discussão sobre ressaca no volume ingerido, na hidratação, na alimentação e no ritmo de consumo — e não em mitos — pode ajudar campanhas de prevenção e reduzir riscos associados ao álcool: intoxicação, acidentes, problemas hepáticos, dependência.

Portanto, repensar hábitos de consumo com base em informação crítica e atualizada importa — e desmontar mitos, mais ainda. A crença de que “misturar bebidas piora a ressaca” revela-se, na maioria das vezes, como uma lenda urbana longe do respaldo científico.


Referências

NOGUEIRA, Marcos. ““Misturar bebidas piora a ressaca” e outros 10 mitos sobre alimentos.” Super, 28 nov. 2025. Acessado em 2 dez. 2025. Super
BRUNO VAIANO. “Misturar bebidas alcoólicas piora mesmo a ressaca?” Super, 19 mar. 2024. Acessado em 2 dez. 2025. Super
EDUARDO SZKLARZ. “Mito: Ressaca é pior quando você mistura bebidas.” Super, 25 fev. 2011. Acessado em 2 dez. 2025. Super
NATIONAL INSTITUTE ON ALCOHOL ABUSE AND ALCOHOLISM. Hangover Fact Sheet. Última atualização 2025. Acessado em 2 dez. 2025. niaaa.nih.gov
LIVESTRONG. “Is Mixing Alcohol Bad?” 2019. Acessado em 2 dez. 2025. Livestrong


Créditos
Reportagem de: Repórter Fabiano C. Prometi — editor-chefe: Fabiano C. Prometi

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