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A Copa que apostou contra o torcedor: algoritmos, bets e o que a escola ainda não ensinou

A Copa que apostou contra o torcedor: algoritmos, bets e o que a escola ainda não ensinou Raquel Lobão , Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Raquel Timponi , Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) No dia 22 de junho de 2026, enquanto Argentina e Áustria disputavam uma vaga na segunda fase da Copa do Mundo, os narradores da CazéTV (canal de streaming que detém os direitos de exibição dos 104 jogos do torneio no YouTube) recomendavam, em tempo real, que os telespectadores apostassem na Betnacional, que havia elevado suas odds (possibilidades de retorno da aposta) de 3 para 4 vezes o dinheiro apostado. A cena se repetiria em outros jogos: na partida entre a Espanha e Cabo Verde, um comentarista destacou que a casa de apostas KTO pagaria R$ 3,10 por cada real apostado se fossem marcados ao menos cinco gols. O jogo terminou 0 a 0. A repercussão negativa desse tipo de propaganda no meio dos jogos se alastrou rapidamente. Na segunda semana da Copa, o Depa...

A paz de Trump significa guerra em 2026: militarização, tecnologia e o colapso do multilateralismo

A paz de Trump significa guerra em 2026: militarização, tecnologia e o colapso do multilateralismo

Data de publicação: 3 de janeiro de 2026

O discurso da “paz pela força”, reiterado por Donald Trump desde sua primeira passagem pela Casa Branca, voltou ao centro do debate internacional em 2026 com consequências concretas e violentas. Longe de representar estabilidade, a retórica trumpista de segurança tem se materializado em uma escalada militar sem precedentes recentes, marcada por intervenções unilaterais, enfraquecimento do multilateralismo e uso intensivo de tecnologias bélicas avançadas. O paradoxo é evidente: a paz anunciada como slogan político se converte, na prática, em guerra aberta, instabilidade regional e aprofundamento das desigualdades globais.

A doutrina da “paz pela força” não é nova. Suas raízes remontam à Guerra Fria, quando os Estados Unidos consolidaram uma estratégia de dissuasão baseada na superioridade militar e tecnológica. No século XXI, entretanto, essa lógica foi reatualizada por Trump com contornos ainda mais agressivos, combinando nacionalismo econômico, desprezo por organismos internacionais e aposta irrestrita no complexo industrial-militar. Ao abandonar acordos multilaterais, como tratados de controle de armas e compromissos climáticos, o trumpismo reposicionou os Estados Unidos como uma potência disposta a agir sozinha, mesmo à custa da legalidade internacional.

Nesse contexto, a tecnologia ocupa papel central. O uso crescente de drones armados, sistemas de vigilância baseados em inteligência artificial, armas de precisão guiadas por satélite e plataformas cibernéticas redefine a natureza da guerra contemporânea. Dados do Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI) indicam que os gastos militares globais ultrapassaram US$ 2,4 trilhões em 2025, com os Estados Unidos respondendo por cerca de 39% desse total. Esse investimento maciço não se traduz em segurança coletiva, mas em uma corrida armamentista que beneficia grandes corporações de defesa e aprofunda a assimetria de poder entre nações.

A ofensiva norte-americana contra países considerados “ameaças” ou “instáveis”, como a Venezuela, insere-se diretamente nessa lógica. A combinação entre sanções econômicas, guerra híbrida e, mais recentemente, ações militares diretas evidencia uma estratégia de mudança de regime apoiada em superioridade tecnológica. Sistemas de reconhecimento aéreo, satélites de vigilância e operações cibernéticas são empregados não apenas para fins militares, mas também como instrumentos de pressão política e econômica. Trata-se de uma forma sofisticada de dominação, que dispensa ocupações prolongadas, mas produz efeitos devastadores sobre populações civis.

Os desdobramentos futuros desse modelo são preocupantes. A normalização do uso unilateral da força tende a fragilizar ainda mais a Organização das Nações Unidas e outros fóruns multilaterais, abrindo espaço para um mundo regido pela lei do mais forte. Além disso, a difusão de tecnologias militares avançadas aumenta o risco de conflitos assimétricos e de erros de cálculo com consequências globais. Especialistas alertam que a integração entre inteligência artificial e armamentos autônomos reduz o controle humano sobre decisões letais, criando dilemas éticos e riscos sistêmicos inéditos.

Do ponto de vista social, os impactos são igualmente profundos. Recursos que poderiam ser destinados a políticas públicas, inovação social e combate às desigualdades são desviados para a indústria da guerra. Em países do Sul Global, as intervenções militares e sanções econômicas associadas ao trumpismo resultam em crises humanitárias, deslocamentos forçados e colapso de serviços essenciais. A promessa de paz, nesse cenário, revela-se uma narrativa ideológica que encobre interesses geopolíticos e econômicos específicos.

Um elemento visual elucidativo desse processo é a evolução dos gastos militares globais entre 2000 e 2025, que demonstra crescimento contínuo, especialmente após 2017. Figura 1 – Evolução dos gastos militares globais (2000–2025). Fonte: SIPRI, 2025. O gráfico evidencia como a retórica de segurança tem sido acompanhada por uma expansão constante do orçamento bélico, sem correlação direta com a redução de conflitos armados.

Sob uma perspectiva crítica e alinhada aos valores da esquerda, é fundamental reconhecer que a chamada “paz de Trump” representa, na verdade, a consolidação de um projeto de poder baseado na coerção, na exclusão e na mercantilização da guerra. Ao transformar a tecnologia em instrumento de dominação e ao subordinar a política externa a interesses corporativos, esse modelo mina qualquer possibilidade de segurança duradoura e justiça internacional.

Condenar essa lógica não é apenas uma posição ideológica, mas uma exigência ética e política. A construção da paz verdadeira passa pelo fortalecimento do multilateralismo, pela cooperação internacional, pelo controle democrático das tecnologias e pela centralidade dos direitos humanos. Em 2026, a experiência concreta demonstra que a paz prometida por Trump significa, para muitos povos, mais guerra, mais sofrimento e menos futuro.


Bibliografia

STOCKHOLM INTERNATIONAL PEACE RESEARCH INSTITUTE. Trends in World Military Expenditure 2025. Estocolmo: SIPRI, 2025. Disponível em: https://www.sipri.org. Acesso em: 3 jan. 2026.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Charter of the United Nations. São Francisco: ONU, 1945. Disponível em: https://www.un.org. Acesso em: 3 jan. 2026.

OCafezinho. A paz de Trump significa guerra em 2026. Rio de Janeiro, 2026. Disponível em: https://www.ocafezinho.com.br. Acesso em: 3 jan. 2026.

KALDOR, Mary. New and Old Wars. 3. ed. Cambridge: Polity Press, 2012.


Créditos

Reportagem: Fabiano C. Prometi
Edição: Fabiano C. Prometi

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Sob o discurso da “paz pela força”, Trump empurra o mundo para um novo ciclo de guerras, militarização e colapso do multilateralismo. Uma análise dura sobre tecnologia, poder e interesses que ameaçam a estabilidade global.

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