Lula e os presidentes do Brasil: projetos de país, resultados sociais e disputas de legado
Lula e os presidentes do Brasil: projetos de país, resultados sociais e disputas de legado
Horizontes do Desenvolvimento – Inovação, Política e Justiça Social
Data de publicação: 21 de janeiro de 2026
Reportagem: Fabiano C. Prometi
Edição: Fabiano C. Prometi
A história política brasileira recente é marcada por disputas narrativas intensas sobre o desempenho de seus presidentes. Contudo, para além das paixões ideológicas e dos embates eleitorais, uma análise baseada em indicadores sociais, econômicos e institucionais permite avaliar com maior precisão os projetos de país que estiveram em jogo. Sob esse prisma, os governos de Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2003 e 2010, ocupam um lugar singular quando comparados às administrações que os antecederam e sucederam.
Ao assumir a Presidência, Lula herdou um país estabilizado monetariamente, resultado das reformas conduzidas nos anos 1990 sob Fernando Henrique Cardoso. O controle da inflação e a reorganização institucional do Estado foram conquistas inegáveis desse período. No entanto, o crescimento econômico limitado, o desemprego elevado e a persistência da desigualdade social evidenciavam os limites de um modelo centrado na estabilidade sem políticas robustas de inclusão. A inflexão promovida a partir de 2003 consistiu justamente em articular responsabilidade fiscal com expansão social, integrando o combate à pobreza ao próprio funcionamento da economia.
Durante os dois mandatos de Lula, o Brasil viveu um ciclo de crescimento com forte dinamização do mercado interno. A valorização real do salário mínimo, a ampliação do crédito e políticas como o Bolsa Família produziram efeitos estruturais, reduzindo a pobreza, a extrema pobreza e a insegurança alimentar em escala inédita. Ao mesmo tempo, o país acumulou reservas internacionais, reduziu sua vulnerabilidade externa e fortaleceu empresas estratégicas, como a Petrobras, em um contexto de afirmação da soberania nacional.
A comparação com o governo de Dilma Rousseff ajuda a compreender os limites da continuidade desse projeto. Eleita como sucessora de Lula, Dilma assumiu um país com indicadores sociais positivos e amplo espaço para políticas de desenvolvimento. Contudo, a combinação de erros na condução econômica, crise de governabilidade e crescente polarização política levou à reversão de parte dos avanços obtidos anteriormente. A recessão a partir de 2014 e o impeachment em 2016 marcaram o esgotamento daquele ciclo, evidenciando a centralidade da articulação política e da estabilidade institucional no sucesso de políticas redistributivas.
O contraste torna-se ainda mais agudo quando se observa o período governado por Jair Bolsonaro. Entre 2019 e 2022, o Brasil assistiu à desmontagem de políticas públicas consolidadas, ao enfraquecimento da proteção ambiental, à perda de protagonismo internacional e ao retorno da fome como problema estrutural. A gestão da pandemia de Covid-19 aprofundou desigualdades sociais e expôs fragilidades institucionais, recolocando o país em patamares sociais comparáveis aos de décadas anteriores.
Em uma perspectiva histórica mais ampla, poucos presidentes promoveram transformações estruturais comparáveis às observadas nos governos Lula. Getúlio Vargas moldou o Estado nacional-desenvolvimentista e instituiu direitos trabalhistas; Juscelino Kubitschek impulsionou a industrialização e a infraestrutura; Lula, por sua vez, foi responsável por inserir milhões de brasileiros no centro da vida econômica, social e política do país, em um contexto democrático e de estabilidade monetária.
Isso não implica ignorar contradições. O modelo adotado nos anos 2000 foi favorecido por um cenário internacional positivo, especialmente pelo ciclo das commodities, e reformas estruturais fundamentais — como a tributária e a política — permaneceram inconclusas. Ainda assim, quando se observam os efeitos concretos sobre renda, emprego, acesso à educação e redução das desigualdades, o ciclo lulista apresenta resultados que resistem à análise empírica.
Ao encerrar seu segundo mandato com níveis de aprovação raramente registrados em democracias contemporâneas, Lula consolidou um legado que continua a estruturar o debate político nacional. A comparação entre presidentes revela que a disputa não se resume a estilos de liderança, mas a projetos distintos de desenvolvimento. Nesse sentido, os governos Lula se destacam não apenas como um período de crescimento econômico, mas como um marco na luta por justiça social e inclusão no Brasil contemporâneo.
1. Combate histórico à fome
O governo Lula lançou o programa Fome Zero e consolidou políticas de segurança alimentar que retiraram o Brasil do Mapa da Fome da ONU em 2014, resultado direto das bases criadas entre 2003 e 2010.
2. Redução da pobreza e da extrema pobreza
Milhões de brasileiros ascenderam socialmente graças à combinação de transferência de renda, crescimento econômico e geração de empregos formais.
3. Valorização real do salário mínimo
O salário mínimo teve aumento real acumulado superior a 70%, impactando aposentadorias, pensões e o poder de compra da base da pirâmide social.
4. Geração recorde de empregos
Foram criados mais de 15 milhões de empregos formais, com forte crescimento do mercado interno e queda consistente do desemprego.
5. Expansão do acesso à educação
Houve ampliação sem precedentes das universidades federais, criação do ProUni, fortalecimento do FIES e interiorização do ensino superior.
6. Fortalecimento das políticas sociais
Programas como Bolsa Família se tornaram referência internacional por sua eficiência, focalização e impacto social mensurável.
7. Crescimento econômico com inclusão
O Brasil cresceu acima da média mundial em vários anos do período Lula, sem romper contratos, mantendo superávit primário e controle da inflação.
8. Fortalecimento da Petrobras e das estatais
A descoberta do pré-sal e a política de conteúdo nacional fortaleceram a indústria, a engenharia brasileira e a soberania energética.
9. Redução das desigualdades regionais
O Nordeste foi uma das regiões que mais cresceu economicamente, com investimentos em infraestrutura, crédito e políticas sociais.
10. Protagonismo internacional do Brasil
O país passou a ser ator central no G20, nos BRICS e em negociações internacionais, com política externa ativa e altiva.
11. Ampliação da democracia participativa
Conselhos nacionais, conferências públicas e diálogo com movimentos sociais foram marcas do período.
12. Inclusão de negros, mulheres e populações historicamente excluídas
Avanços em políticas de igualdade racial, ações afirmativas e direitos sociais ampliaram o acesso a oportunidades.
13. Aprovação popular ao final do mandato
Lula deixou a Presidência com cerca de 87% de aprovação, um dos maiores índices já registrados por um chefe de Estado democrático.

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