Pular para o conteúdo principal

Destaques

Grande Colisor de Hádrons passa por modernização para desvendar os segredos do bóson de Higgs

Grande Colisor de Hádrons passa por modernização para desvendar os segredos do bóson de Higgs Daniela Bortoletto , University of Oxford Nas profundezas sob a fronteira entre França e Suíça, o maior instrumento científico do mundo está em silêncio. Após anos colidindo prótons a quase a velocidade da luz, o Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês), do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern) interrompeu suas operações e entrou em um longo período de reformas. Enquanto as colisões de partículas no LHC estão paralisadas, milhares de cientistas, engenheiros e técnicos estão desmontando partes da máquina, instalando novas tecnologias e preparando uma das modernizações mais ambiciosas já realizadas na física experimental. Quando for ligado novamente, por volta de 2030, o LHC se tornará o Grande Colisor de Hádrons de Alta Luminosidade (HL-LHC) , capaz de gerar cerca de sete vezes mais dados do que o colisor que originalmente comprovou a existência do bóson de Hig...

Lula e os presidentes do Brasil: projetos de país, resultados sociais e disputas de legado

Lula e os presidentes do Brasil: projetos de país, resultados sociais e disputas de legado

Horizontes do Desenvolvimento – Inovação, Política e Justiça Social

Data de publicação: 21 de janeiro de 2026

Reportagem: Fabiano C. Prometi

Edição: Fabiano C. Prometi

A história política brasileira recente é marcada por disputas narrativas intensas sobre o desempenho de seus presidentes. Contudo, para além das paixões ideológicas e dos embates eleitorais, uma análise baseada em indicadores sociais, econômicos e institucionais permite avaliar com maior precisão os projetos de país que estiveram em jogo. Sob esse prisma, os governos de Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2003 e 2010, ocupam um lugar singular quando comparados às administrações que os antecederam e sucederam.

Ao assumir a Presidência, Lula herdou um país estabilizado monetariamente, resultado das reformas conduzidas nos anos 1990 sob Fernando Henrique Cardoso. O controle da inflação e a reorganização institucional do Estado foram conquistas inegáveis desse período. No entanto, o crescimento econômico limitado, o desemprego elevado e a persistência da desigualdade social evidenciavam os limites de um modelo centrado na estabilidade sem políticas robustas de inclusão. A inflexão promovida a partir de 2003 consistiu justamente em articular responsabilidade fiscal com expansão social, integrando o combate à pobreza ao próprio funcionamento da economia.

Durante os dois mandatos de Lula, o Brasil viveu um ciclo de crescimento com forte dinamização do mercado interno. A valorização real do salário mínimo, a ampliação do crédito e políticas como o Bolsa Família produziram efeitos estruturais, reduzindo a pobreza, a extrema pobreza e a insegurança alimentar em escala inédita. Ao mesmo tempo, o país acumulou reservas internacionais, reduziu sua vulnerabilidade externa e fortaleceu empresas estratégicas, como a Petrobras, em um contexto de afirmação da soberania nacional.

A comparação com o governo de Dilma Rousseff ajuda a compreender os limites da continuidade desse projeto. Eleita como sucessora de Lula, Dilma assumiu um país com indicadores sociais positivos e amplo espaço para políticas de desenvolvimento. Contudo, a combinação de erros na condução econômica, crise de governabilidade e crescente polarização política levou à reversão de parte dos avanços obtidos anteriormente. A recessão a partir de 2014 e o impeachment em 2016 marcaram o esgotamento daquele ciclo, evidenciando a centralidade da articulação política e da estabilidade institucional no sucesso de políticas redistributivas.

O contraste torna-se ainda mais agudo quando se observa o período governado por Jair Bolsonaro. Entre 2019 e 2022, o Brasil assistiu à desmontagem de políticas públicas consolidadas, ao enfraquecimento da proteção ambiental, à perda de protagonismo internacional e ao retorno da fome como problema estrutural. A gestão da pandemia de Covid-19 aprofundou desigualdades sociais e expôs fragilidades institucionais, recolocando o país em patamares sociais comparáveis aos de décadas anteriores.

Em uma perspectiva histórica mais ampla, poucos presidentes promoveram transformações estruturais comparáveis às observadas nos governos Lula. Getúlio Vargas moldou o Estado nacional-desenvolvimentista e instituiu direitos trabalhistas; Juscelino Kubitschek impulsionou a industrialização e a infraestrutura; Lula, por sua vez, foi responsável por inserir milhões de brasileiros no centro da vida econômica, social e política do país, em um contexto democrático e de estabilidade monetária.

Isso não implica ignorar contradições. O modelo adotado nos anos 2000 foi favorecido por um cenário internacional positivo, especialmente pelo ciclo das commodities, e reformas estruturais fundamentais — como a tributária e a política — permaneceram inconclusas. Ainda assim, quando se observam os efeitos concretos sobre renda, emprego, acesso à educação e redução das desigualdades, o ciclo lulista apresenta resultados que resistem à análise empírica.

Ao encerrar seu segundo mandato com níveis de aprovação raramente registrados em democracias contemporâneas, Lula consolidou um legado que continua a estruturar o debate político nacional. A comparação entre presidentes revela que a disputa não se resume a estilos de liderança, mas a projetos distintos de desenvolvimento. Nesse sentido, os governos Lula se destacam não apenas como um período de crescimento econômico, mas como um marco na luta por justiça social e inclusão no Brasil contemporâneo.

1. Combate histórico à fome

O governo Lula lançou o programa Fome Zero e consolidou políticas de segurança alimentar que retiraram o Brasil do Mapa da Fome da ONU em 2014, resultado direto das bases criadas entre 2003 e 2010.

2. Redução da pobreza e da extrema pobreza

Milhões de brasileiros ascenderam socialmente graças à combinação de transferência de renda, crescimento econômico e geração de empregos formais.

3. Valorização real do salário mínimo

O salário mínimo teve aumento real acumulado superior a 70%, impactando aposentadorias, pensões e o poder de compra da base da pirâmide social.

4. Geração recorde de empregos

Foram criados mais de 15 milhões de empregos formais, com forte crescimento do mercado interno e queda consistente do desemprego.

5. Expansão do acesso à educação

Houve ampliação sem precedentes das universidades federais, criação do ProUni, fortalecimento do FIES e interiorização do ensino superior.

6. Fortalecimento das políticas sociais

Programas como Bolsa Família se tornaram referência internacional por sua eficiência, focalização e impacto social mensurável.

7. Crescimento econômico com inclusão

O Brasil cresceu acima da média mundial em vários anos do período Lula, sem romper contratos, mantendo superávit primário e controle da inflação.

8. Fortalecimento da Petrobras e das estatais

A descoberta do pré-sal e a política de conteúdo nacional fortaleceram a indústria, a engenharia brasileira e a soberania energética.

9. Redução das desigualdades regionais

O Nordeste foi uma das regiões que mais cresceu economicamente, com investimentos em infraestrutura, crédito e políticas sociais.

10. Protagonismo internacional do Brasil

O país passou a ser ator central no G20, nos BRICS e em negociações internacionais, com política externa ativa e altiva.

11. Ampliação da democracia participativa

Conselhos nacionais, conferências públicas e diálogo com movimentos sociais foram marcas do período.

12. Inclusão de negros, mulheres e populações historicamente excluídas

Avanços em políticas de igualdade racial, ações afirmativas e direitos sociais ampliaram o acesso a oportunidades.

13. Aprovação popular ao final do mandato

Lula deixou a Presidência com cerca de 87% de aprovação, um dos maiores índices já registrados por um chefe de Estado democrático.


Comentários