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A Copa que apostou contra o torcedor: algoritmos, bets e o que a escola ainda não ensinou

A Copa que apostou contra o torcedor: algoritmos, bets e o que a escola ainda não ensinou Raquel Lobão , Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Raquel Timponi , Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) No dia 22 de junho de 2026, enquanto Argentina e Áustria disputavam uma vaga na segunda fase da Copa do Mundo, os narradores da CazéTV (canal de streaming que detém os direitos de exibição dos 104 jogos do torneio no YouTube) recomendavam, em tempo real, que os telespectadores apostassem na Betnacional, que havia elevado suas odds (possibilidades de retorno da aposta) de 3 para 4 vezes o dinheiro apostado. A cena se repetiria em outros jogos: na partida entre a Espanha e Cabo Verde, um comentarista destacou que a casa de apostas KTO pagaria R$ 3,10 por cada real apostado se fossem marcados ao menos cinco gols. O jogo terminou 0 a 0. A repercussão negativa desse tipo de propaganda no meio dos jogos se alastrou rapidamente. Na segunda semana da Copa, o Depa...

Mundo reage ao ataque de Trump contra a Venezuela com choque diplomático, condenações e divisões ideológicas


Mundo reage ao ataque de Trump contra a Venezuela com choque diplomático, condenações e divisões ideológicas

Data de publicação: 3 de janeiro de 2026

A ofensiva militar lançada pelos Estados Unidos contra a Venezuela na madrugada de 3 de janeiro de 2026 provocou uma das mais intensas ondas de reação internacional desde o fim da Guerra Fria. Ordenado pelo presidente Donald Trump, o ataque incluiu bombardeios seletivos em território venezuelano e a captura do presidente Nicolás Maduro, posteriormente levado para os Estados Unidos. A operação, justificada pela Casa Branca como parte de uma suposta estratégia de combate ao “narcoterrorismo” e de “restauração da democracia”, foi recebida com choque, condenações formais e profundas divisões ideológicas ao redor do mundo.

A ação ocorre em um contexto histórico marcado por décadas de tensões entre Washington e Caracas. Desde a ascensão do chavismo, no final dos anos 1990, os Estados Unidos adotaram uma política crescente de sanções econômicas, isolamento diplomático e apoio a forças oposicionistas. Ainda assim, mesmo nos momentos mais agudos da crise venezuelana, a intervenção militar direta sempre foi considerada uma linha vermelha, dada a centralidade do princípio da soberania nacional no direito internacional contemporâneo. O ataque de 2026 rompe esse tabu e reabre feridas históricas na América Latina, região profundamente marcada por intervenções externas ao longo do século XX.

As reações na América Latina foram imediatas e contundentes, especialmente entre governos progressistas. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, classificou a ofensiva como uma violação inaceitável da soberania venezuelana e afirmou que a ação norte-americana ameaça a própria ordem multilateral construída após a Segunda Guerra Mundial. Para o governo brasileiro, trata-se de um precedente perigoso que fragiliza a Carta das Nações Unidas e normaliza o uso unilateral da força como instrumento de política externa. México e Chile adotaram posição semelhante, defendendo a resolução pacífica de conflitos e alertando para os riscos de escalada regional.

Na Colômbia, o governo de Gustavo Petro expressou profunda preocupação com os efeitos humanitários da ofensiva e determinou o reforço militar na fronteira com a Venezuela, diante do temor de novos fluxos migratórios forçados. Cuba foi ainda mais enfática ao classificar a operação como crime de Estado e ato de terrorismo internacional contra o povo venezuelano. Rússia e Irã, por sua vez, denunciaram a ação como agressão armada, reiterando que não houve qualquer autorização do Conselho de Segurança da ONU que pudesse legitimar o uso da força.

Na Europa, as reações foram mais cautelosas, mas majoritariamente críticas. A União Europeia pediu moderação e respeito ao direito internacional, mesmo reconhecendo as limitações democráticas do governo Maduro. França e Espanha enfatizaram que a proibição do uso da força é um dos pilares do sistema internacional pós-1945 e não pode ser relativizada por conveniências políticas. O Reino Unido declarou não ter participado da operação e afirmou que aguardará investigações independentes antes de qualquer posicionamento definitivo.

Em contraste, setores da direita global celebraram a ofensiva como um golpe contra o autoritarismo chavista. Lideranças conservadoras nos Estados Unidos e na América do Sul, como o presidente argentino Javier Milei, saudaram a captura de Maduro como um passo necessário para a “libertação” da Venezuela. Essa narrativa, no entanto, ignora deliberadamente o fato de que a imposição militar de mudanças de regime historicamente produziu instabilidade, guerras prolongadas e colapsos institucionais, como demonstram os casos do Iraque, do Afeganistão e da Líbia.

Do ponto de vista jurídico, a ofensiva norte-americana enfrenta críticas severas. Especialistas em direito internacional apontam que a operação viola frontalmente o Artigo 2º, parágrafo 4º, da Carta das Nações Unidas, que proíbe o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado. Sem autorização explícita do Conselho de Segurança e sem comprovação de legítima defesa imediata, a ação se enquadra na definição de crime de agressão, conceito consolidado após os julgamentos de Nuremberg e central para a arquitetura jurídica internacional contemporânea.

O secretário-geral da ONU alertou que a ofensiva cria um precedente extremamente perigoso, ao sinalizar que grandes potências podem capturar chefes de Estado estrangeiros e intervir militarmente sem consequências institucionais. Tal prática enfraquece mecanismos multilaterais, estimula a lei do mais forte e compromete a segurança coletiva global, especialmente para países do Sul Global.

As implicações geopolíticas e sociais do ataque são profundas. Além de aumentar o risco de instabilidade regional, a ofensiva ameaça agravar a crise humanitária venezuelana, já severamente impactada por anos de sanções econômicas. Também reforça a percepção de que os Estados Unidos retomaram uma política explícita de mudança de regime na América Latina, em clara contradição com o discurso de defesa da democracia e dos direitos humanos. Para movimentos de esquerda e organizações comprometidas com a justiça social, trata-se de um retrocesso histórico que reativa lógicas imperialistas e nega aos povos o direito à autodeterminação.

Sob uma perspectiva crítica, a ação de Washington não pode ser dissociada de interesses estratégicos e econômicos, especialmente relacionados às maiores reservas de petróleo do mundo, concentradas na Venezuela. Ao anunciar que os Estados Unidos assumiriam temporariamente a gestão do país e de sua indústria petrolífera, o governo Trump explicitou motivações que vão muito além de qualquer preocupação humanitária ou democrática.

O ataque à Venezuela, portanto, não representa uma solução para a crise política do país, mas sim um agravamento de suas contradições internas e externas. Ao violar o direito internacional e desprezar o multilateralismo, os Estados Unidos contribuem para a erosão de normas que, apesar de imperfeitas, ainda funcionam como barreira contra a barbárie nas relações internacionais. Para a esquerda global, condenar duramente essa ofensiva é não apenas uma posição ideológica, mas um imperativo ético em defesa da soberania, da paz e da justiça entre as nações.


Bibliografia

REUTERS. World reacts to US strikes on Venezuela. Londres, 2026. Disponível em: https://www.reuters.com. Acesso em: 3 jan. 2026.

REUTERS. Brazil says US crossed 'unacceptable line' over military strikes on Venezuela. Londres, 2026. Disponível em: https://www.reuters.com. Acesso em: 3 jan. 2026.

THE GUARDIAN. Is there any legal justification for the US attack on Venezuela? Londres: Guardian News & Media, 2026. Disponível em: https://www.theguardian.com. Acesso em: 3 jan. 2026.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Carta das Nações Unidas. São Francisco: ONU, 1945.


Créditos

Reportagem: Fabiano C. Prometi
Edição: Fabiano C. Prometi

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