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A Copa que apostou contra o torcedor: algoritmos, bets e o que a escola ainda não ensinou

A Copa que apostou contra o torcedor: algoritmos, bets e o que a escola ainda não ensinou Raquel Lobão , Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Raquel Timponi , Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) No dia 22 de junho de 2026, enquanto Argentina e Áustria disputavam uma vaga na segunda fase da Copa do Mundo, os narradores da CazéTV (canal de streaming que detém os direitos de exibição dos 104 jogos do torneio no YouTube) recomendavam, em tempo real, que os telespectadores apostassem na Betnacional, que havia elevado suas odds (possibilidades de retorno da aposta) de 3 para 4 vezes o dinheiro apostado. A cena se repetiria em outros jogos: na partida entre a Espanha e Cabo Verde, um comentarista destacou que a casa de apostas KTO pagaria R$ 3,10 por cada real apostado se fossem marcados ao menos cinco gols. O jogo terminou 0 a 0. A repercussão negativa desse tipo de propaganda no meio dos jogos se alastrou rapidamente. Na segunda semana da Copa, o Depa...

Lunar Gateway: projeto de estação espacial na órbita da Lua enfrenta problemas e pode ser abandonado pelos EUA

 

Lunar Gateway: projeto de estação espacial na órbita da Lua enfrenta problemas e pode ser abandonado pelos EUA

Berna Akcali Gur, Queen Mary University of London

A Lunar Gateway é uma estação espacial que deverá orbitar a Lua. Ela faz parte do programa Artemis, liderado pela Nasa. O Artemis tem como objetivo levar humanos de volta à Lua, estabelecendo uma presença sustentável para fins científicos e comerciais e, eventualmente, servir de trampolim para chegar a Marte.

Mas o projeto da estação espacial modular agora enfrenta atrasos, preocupações com custos e potenciais cortes de financiamento pelos EUA. Isto levanta uma questão fundamental: é realmente preciso ter uma estação espacial em órbita para atingir os objetivos de exploração da Lua, incluindo os científicos?

O orçamento proposto pelo presidente Donald Trump para a Nasa em 2026 buscava cancelar a Gateway. No final, a resistência dentro do Senado levou à continuidade do financiamento do projeto para o posto avançado lunar. Mas o debate continua entre os formuladores de políticas quanto ao seu valor e necessidade dentro do programa Artemis.

O cancelamento da Gateway também levantaria questões mais profundas sobre o futuro do compromisso dos EUA com a cooperação internacional dentro do programa Artemis. Isso, portanto, traria o risco de corroer a influência dos EUA sobre as parcerias globais que definirão o futuro da exploração do espaço profundo.

A Gateway foi projetada para apoiar essas ambições, atuando como um ponto de parada para missões tripuladas e robóticas (como rovers lunares), como uma plataforma para pesquisa científica e como um campo de testes para tecnologias cruciais para pousar humanos em Marte.

Trata-se de um esforço multinacional. Neste projeto, a Nasa conta com a participação de quatro parceiros internacionais: a Agência Espacial Canadense, a Agência Espacial Europeia (ESA), a Agência de Exploração Aeroespacial Japonesa (Jaxa) e o Centro Espacial Mohammed Bin Rashid, dos Emirados Árabes Unidos.

Esquema do Lunar Gateway.
Esquema da estação Lunar Gateway. NASA

A maioria dos componentes fornecidos por esses parceiros já foi produzida e entregue aos EUA para integração e testes. Mas o projeto tem sido afetado pelo aumento dos custos e debates persistentes sobre seu valor.

Se de fato o projeto da estação for cancelado, o abandono por parte dos EUA do componente mais multinacional do programa Artemis, num momento em que a confiança nas alianças internacionais está sob pressão sem precedentes, poderá ter consequências de longo alcance.

A estação será montada módulo por módulo, com cada parceiro contribuindo com componentes e com a possibilidade de novos parceiros se juntarem ao longo do tempo.

Objetivos estratégicos

A Gateway reflete um objetivo estratégico mais amplo do Artemis, que é buscar a exploração lunar por meio de parcerias com a indústria e outras nações, ajudando a distribuir o custo financeiro — em vez de ser um empreendimento exclusivamente americano. Isso é particularmente importante em meio à intensificação da concorrência na exploração espacial — principalmente com a China.

China e Rússia estão desenvolvendo seu próprio projeto lunar multinacional, uma base de superfície chamada Estação Internacional de Pesquisa Lunar. A Gateway poderia atuar como um importante contrapeso, ajudando a reforçar a liderança dos EUA na Lua.

Em um quarto de século de operação, a Estação Espacial Internacional (ISS) já recebeu mais de 290 pessoas de 26 países, além de seus cinco parceiros internacionais, incluindo a Rússia. Mais de 4.000 experimentos foram realizados neste laboratório único.

Em 2030, a ISS deverá ser substituída por estações espaciais privadas e nacionais separadas na baixa órbita da Terra. Assim, a Lunar Gateway poderia repetir o papel estratégico e estabilizador entre diferentes nações que a ISS desempenhou durante décadas.

No entanto, é essencial examinar cuidadosamente se o valor estratégico da Gateway é realmente compatível com a sua viabilidade operacional e financeira.

Pode-se argumentar que o restante do programa Artemis não depende da estação espacial lunar, tornando suas justificativas cada vez mais difíceis de defender.

Alguns críticos concentram-se em questões técnicas, outros argumentam que o objetivo original do Gateway perdeu importância, enquanto outros argumentam que as missões lunares podem prosseguir sem um posto avançado orbital.

Exploração sustentável

Os defensores da estação rebatem que a Lunar Gateway oferece uma plataforma essencial para testar tecnologias no espaço profundo, permitindo a exploração lunar sustentável, promovendo a cooperação internacional e estabelecendo as bases para uma presença humana e econômica de longo prazo na Lua. O debate agora se concentra em saber se existem maneiras mais eficazes de atingir esses objetivos.

Apesar das incertezas, os parceiros comerciais e nacionais continuam dedicados a cumprir seus compromissos com a construção da estação. A ESA está fornecendo o Módulo Internacional de Habitação (IHAB), juntamente com sistemas de reabastecimento e comunicação. O Canadá está construindo o braço robótico da Gateway, o Canadarm3, os Emirados Árabes Unidos estão produzindo um módulo de câmara de descompressão e o Japão está contribuindo com sistemas de suporte de vida e componentes de habitação.

Módulo Halo da Gateway em uma instalação no Arizona operada pela empresa aeroespacial Northrop Grumman. Nasa / Josh Valcarcel

A empresa americana Northrop Grumman é responsável pelo desenvolvimento do Habitat and Logistics Outpost (Halo), e a empresa americana Maxar construirá o elemento de energia e propulsão (PPE). Uma parte substancial deste hardware já foi entregue e está passando por integração e testes.

Se o projeto Gateway for encerrado, o caminho mais responsável a seguir para evitar desmotivar futuros colaboradores dos projetos do programa Artemis seria estabelecer um plano claro para reutilizar o hardware em outras missões.

Um cancelamento sem essa estratégia corre o risco de criar um vácuo que coalizões rivais poderiam explorar. Mas também poderia abrir a porta para novas alternativas, incluindo potencialmente uma liderada pela ESA.

A ESA reafirmou seu compromisso com a Gateway, mesmo que os EUA acabem reconsiderando seu próprio papel. Para as nações espaciais emergentes, um acesso a tal posto avançado ajudaria a desenvolver suas próprias capacidades de exploração. E esse acesso se traduz diretamente em influência geopolítica.

Os empreendimentos espaciais são caros, arriscados e muitas vezes difíceis de justificar para o público. Mas a exploração sustentável além da órbita da Terra exigirá uma abordagem colaborativa de longo prazo, em vez de uma série de missões isoladas.

Se a Gateway não fizer mais sentido técnico ou operacional para os EUA, seus benefícios ainda poderão ser alcançados por meio de outro projeto.

Este poderia estar localizado na superfície lunar, integrado a uma missão a Marte, ou poderia assumir uma forma totalmente nova. Mas se os EUA descartarem o valor da Gateway como um posto avançado de longo prazo sem garantir que seus benefícios mais amplos sejam preservados, correm o risco de perder uma oportunidade que moldará sua influência de longo prazo na confiança internacional, na liderança e na futura forma da cooperação espacial.The Conversation

Berna Akcali Gur, Lecturer in Outer Space Law, Queen Mary University of London

This article is republished from The Conversation under a Creative Commons license. Read the original article.

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