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Netflix Desiste de Warner Bros: o Fim da Fusão dos Gigantes do Streaming e o Avanço da Consolidação Tecnológica em Hollywood

Netflix Desiste de Warner Bros: o Fim da Fusão dos Gigantes do Streaming e o Avanço da Consolidação Tecnológica em Hollywood

São Paulo, 27 de fevereiro de 2026

Por Fabiano C. Prometi*
Edição: Fabiano C. Prometi*

A decisão da Netflix de recuar de sua proposta de aquisição dos ativos de estúdio e streaming da Warner Bros. Discovery (WBD), ao declinar igualar a oferta "superior" da Paramount Skydance, marca um ponto de inflexão na reconfiguração do ecossistema de entretenimento digital, onde tecnologias de distribuição de conteúdo, algoritmos de recomendação e plataformas de streaming se entrelaçam com estratégias corporativas de escala e sobrevivência. Anunciada em 26 de fevereiro de 2026, a saída da Netflix – justificada pelos CEOs Ted Sarandos e Greg Peters como resultado de uma oferta que "não é mais financeiramente atraente" – pavimenta o caminho para uma megafusão avaliada em cerca de US$ 111 bilhões (£82,2 bilhões), unindo duas das mais tradicionais casas de Hollywood em uma entidade capaz de desafiar o domínio da Netflix e da Disney no mercado global de streaming. Essa manobra não é mero episódio de leilão corporativo, mas reflexo de uma transição tecnológica profunda: da era das salas de cinema e TV linear para um paradigma de consumo sob demanda mediado por IA, big data e infraestrutura em nuvem, cujas origens remontam aos primórdios da internet comercial nos anos 1990 e se aceleram com o boom pós-pandemia.

Legenda: Imagem promocional destacando logos da Netflix e Warner Bros., simbolizando as negociações frustradas pela fusão de streaming e estúdios tradicionais.

O streaming, como tecnologia central dessa transformação, surgiu nos anos 2000 com plataformas como YouTube (2005) e Netflix pivotando de DVD para transmissão online em 2007, evoluindo para ecossistemas integrados que combinam produção original, licenciamento de catálogos e personalização via machine learning. Hoje, seus usos dominam: em 2025, o SVOD (subscription video on demand) representou 45% do consumo de vídeo global, com receitas projetadas em US$ 150 bilhões para 2026, impulsionadas por algoritmos que processam dados de visualização para otimizar retenção de assinantes – como os da Netflix, que respondem por 80% das horas assistidas. No contexto da disputa pela WBD, dona de HBO, Max e franquias icônicas como DC e Harry Potter, a Netflix via na compra uma expansão de seu catálogo para 300 mil horas de conteúdo premium, fortalecendo sua liderança com 280 milhões de assinantes globais; já a Paramount Skydance, com oferta de US$ 31 por ação (totalizando US$ 77 bilhões pela empresa inteira, incluindo canais como CNN e TNT), aposta em sinergias totais, prometendo US$ 6 bilhões em cortes de custos pós-fusão.

Essa recusa da Netflix, comunicada em carta aos acionistas, destaca uma disciplina financeira estratégica: o acordo original com WBD, de US$ 27,75 por ação (US$ 72 bilhões pelos ativos de estúdio e streaming), oferecia "valor aos acionistas com caminho claro para aprovação regulatória", mas o lance elevado da Paramount – com compromisso de US$ 7 bilhões em taxa de ruptura reversa caso reguladores bloqueiem – tornou-o inviável, elevando ações da Netflix em 10% no after-hours, enquanto WBD caiu 2%. A Paramount Skydance, liderada por David Ellison (do Trust Ellison), já havia elevado ofertas em meses de batalha, incluindo uma tentativa hostil em dezembro de 2025, culminando em um countdown de quatro dias para resposta da Netflix, que optou pela saída para preservar caixa em um mercado saturado onde a média de assinaturas por lar nos EUA é de 5,4, mas com churn anual de 40%.

A consolidação via fusões como essa reflete tendências globais de oligopolização do entretenimento digital, onde poucas plataformas capturam 70% do mercado SVOD (Netflix, Disney+, Amazon Prime), impulsionadas por investimentos em IA para curadoria de conteúdo – algoritmos que, desde 2016, geram 75% das visualizações na Netflix via sugestões personalizadas. Exemplos reais ilustram a relevância social: a fusão Disney-Fox (2019, US$ 71 bilhões) criou impérios de IP que dominam 40% do box office global, mas elevaram preços de assinatura em 20%; já a Warner-Discovery (2022, US$ 43 bilhões) cortou 4 mil empregos em nome de sinergias, evidenciando desigualdades laborais em Hollywood, onde 60% dos trabalhadores freelancers enfrentam instabilidade. No Brasil, onde 70% das residências acessam streaming (dados IBGE 2025), essas dinâmicas impactam diversidade cultural: catálogos globais priorizam blockbusters anglófonos, reduzindo espaço para produções locais apesar de incentivos como a Lei Rouanet Audiovisual.

Tabela 1 – Comparação das Ofertas pela Warner Bros. Discovery (2026)

AspectoNetflixParamount SkydanceFonte Principal
Valor por Ação (US$)US$ 27,75 (ativos selecionados)US$ 31 (empresa inteira)
Valor Total (US$ bi)72 (estúdio + streaming)77-111 (total, incluindo canais)
EscopoEstúdio, HBO Max, HBOToda WBD (CNN, TNT, estúdios)
Taxa de Ruptura (US$ bi)Não especificada7 (reversa, se reguladores vetarem)
Impacto em Ações+10% Netflix (after-hours)+5% Paramount; -2% WBD
Sinergias ProjetadasNão divulgadoUS$ 6 bi em cortes pós-fusão

Legenda: Dados agregados de anúncios oficiais e reações de mercado; valores sujeitos a aprovações regulatórias e voto de acionistas em março de 2026.

Futuramente, essa megafusão pode acelerar inovações como integração de AVOD (ad-supported video on demand) com IA generativa para criação de conteúdo – testes da Paramount com ferramentas como Sora da OpenAI já reduzem custos de VFX em 30% –, mas também agravar riscos antitruste: a nova entidade controlaria 25% do mercado de streaming nos EUA, rivalizando com a Netflix (35%), sob escrutínio da FTC e UE, que em 2025 multou Google em €2 bi por práticas monopolistas em ads digitais. Socialmente, enquanto promete "certainty and speed to closing" (David Ellison), sinaliza mais demissões – Paramount já cortou US$ 3 bi pós-Skydance –, exacerbando precarização em uma indústria onde 57% dos roteiristas ganhavam menos de US$ 50 mil/ano pré-greves de 2023. No Sul Global, reforça dependência de Hollywood, mas abre janelas para parcerias, como as da Netflix com produtoras brasileiras (ex.: "Cidade Invisível"), demandando políticas públicas para soberania cultural digital.

A retirada da Netflix, vista internamente na WBD como "gut punch" para equipes esperançosas, sublinha uma Hollywood em mutação: de estúdios verticais para plataformas algorítmicas, onde o valor não reside mais em salas escuras, mas em dados de engajamento processados em tempo real. Reguladores terão o veredito final, mas o episódio reforça que, em um mercado de US$ 500 bi projetados para 2030, a consolidação é inevitável – questão é se gerará inovação inclusiva ou monopólios excludentes.

Bibliografia (ABNT)

BBC NEWS. Paramount set for $111bn Warner Bros takeover after Netflix drops bid. Londres: BBC, 2026. Disponível em: https://www.bbc.com/news/articles/c5y6p5ypgmzo. Acesso em: 27 fev. 2026.

CNBC. Netflix ditches deal for Warner Bros. Discovery after Paramount's offer is deemed superior. Nova York: CNBC, 2026. Disponível em: https://www.cnbc.com/2026/02/26/warner-bros-discovery-paramount-skydance-deal-superior-netflix.html. Acesso em: 27 fev. 2026.

NETFLIX. Netflix Declines to Raise Offer for Warner Bros. Los Gatos: Netflix, Inc., 2026. Disponível em: https://about.netflix.com/en/news/netflix-declines-to-raise-offer-for-warner-bros. Acesso em: 27 fev. 2026.

REUTERS. Paramount Skydance wins Warner Bros; Netflix walks away and its stock jumps. Londres/Nova York: Thomson Reuters, 2026. Disponível em: https://www.reuters.com/legal/transactional/warner-bros-says-paramount-bid-superior-countdown-begins-netflix-response-2026-02-26. Acesso em: 27 fev. 2026.

USA TODAY. Netflix withdraws Warner Bros bid: 'No longer financially attractive'. McLean: Gannett, 2026. Disponível em: https://www.usatoday.com/story/entertainment/movies/2026/02/26/netflix-backs-from-warner-bros-bidding-paramount/88888660007/. Acesso em: 27 fev. 2026.

YAHOO FINANCE. Netflix declines to match Paramount Skydance bid for Warner Bros. Sunnyvale: Yahoo, 2026. Disponível em: https://finance.yahoo.com/news/netflix-declines-match-paramount-skydance-232547456.html. Acesso em: 27 fev. 2026.

Créditos e direitos de uso

Reportagem: Fabiano C. Prometi
Edição: Fabiano C. Prometi
Pesquisa e checagem: Equipe Horizontes do Desenvolvimento – Inovação, Política e Justiça Social

Este conteúdo integra o blog Grandes Inovações Tecnológicas, mantido por Horizontes do Desenvolvimento – Inovação, Política e Justiça Social, e só pode ser reproduzido, total ou parcialmente, mediante autorização prévia e expressa da editoria. Em caso de autorização, é obrigatória a citação da fonte, com link para a publicação original. Na ausência de acordo específico em sentido diverso, fica vedado o uso comercial do conteúdo, autorizando-se apenas a circulação não comercial com atribuição, em termos compatíveis com uma licença do tipo Creative Commons Atribuição–Não Comercial–Sem Derivações (CC BY-NC-ND).



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