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Relógio do Apocalipse avança para 85 segundos da meia-noite: humanidade mais próxima do colapso em 2026
Relógio do Apocalipse avança para 85 segundos da meia-noite: humanidade mais próxima do colapso em 2026
São Paulo, 28 de fevereiro de 2026
Por Fabiano C. Prometi*
O Relógio do Apocalipse, símbolo criado em 1947 pelo Bulletin of the Atomic Scientists para medir a proximidade da humanidade de uma catástrofe global autoinduzida, foi ajustado em 27 de janeiro de 2026 para os 85 segundos da meia-noite – o ponto mais crítico de sua história de 79 anos, superando o recorde anterior de 90 segundos estabelecido em 2023 e mantido em 2025. Essa marcação, decidida por um conselho de especialistas em ciência e segurança incluindo oito laureados com o Nobel, reflete não apenas a convergência de riscos nucleares, climáticos e biológicos, mas sobretudo o papel disruptivo de tecnologias emergentes como a inteligência artificial (IA), que amplificam desinformação, corroem a cooperação internacional e aceleram uma corrida armamentista sem precedentes. Em um ano marcado por bombardeios israelenses e norte-americanos contra o Irã, a guerra contínua na Ucrânia e tensões na Península Coreana, o avanço do relógio sinaliza uma falha sistêmica de liderança global, onde inovações tecnológicas – originalmente concebidas para o progresso humano – se convertem em vetores de aniquilação.
O Relógio do Apocalipse surgiu no contexto pós-Segunda Guerra Mundial, impulsionado por cientistas do Projeto Manhattan, como Albert Einstein e J. Robert Oppenheimer, que, traumatizados pelas bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, fundaram o Bulletin em 1945 para alertar sobre os perigos da energia nuclear descontrolada. A artista Martyl Langsdorf desenhou o mostrador em 1947, com meia-noite representando o apocalipse nuclear; sua posição inicial era de sete minutos para a meia-noite, ajustada 27 vezes desde então – oito para trás e 19 para frente, com o recorde anterior de 100 segundos em 2021 durante a pandemia de COVID-19 e tensões EUA-China. Hoje, o mecanismo simbólico incorpora múltiplas ameaças existenciais: proliferação nuclear, mudanças climáticas, tecnologias disruptivas (como IA e biotecnologia) e riscos biológicos, avaliados anualmente por um board que consulta patrocinadores Nobel em física, química e paz.
A tecnologia nuclear, origem primordial do relógio, permanece central em 2026, com o Bulletin citando explicitamente o fim do Tratado New START em 5 de fevereiro, que limitava ogivas nucleares entre EUA e Rússia – abrindo caminho para uma "corrida armamentista descontrolada" pela primeira vez em meio século. Países como Rússia, China, EUA, Índia, Paquistão e Irã exibem posturas "agressivas, adversarial e nacionalistas", exacerbadas por conflitos como a invasão russa da Ucrânia, choques fronteiriços Índia-Paquistão em maio de 2025 e os recentes ataques EUA-Israel contra instalações iranianas em fevereiro de 2026, que reacenderam temores de proliferação no Oriente Médio. Estatísticas da Federação de Cientistas Americanos indicam que nove nações detêm cerca de 12.100 ogivas nucleares em 2026, com modernizações em curso: os EUA planejam US$ 1,5 trilhão até 2030 em novos mísseis e submarinos, enquanto a China expande para 1.000 ogivas até 2030, violando informalmente limites de tratados anteriores. Esses avanços não são meramente quantitativos; envolvem simulações computacionais de alta precisão e miniaturização de ogivas, permitindo maior mobilidade e sobrevivência pós-ataque, o que erode a doutrina de destruição mútua assegurada.
Paralelamente, tecnologias disruptivas como a IA emergem como o fator mais novo e acelerador de riscos, usadas para disseminar desinformação em escala massiva, interferir em eleições e otimizar sistemas de armas autônomas. O Bulletin destaca como algoritmos de IA geram "deepfakes" e narrativas conspiratórias que minam a confiança pública em instituições científicas e diplomáticas, facilitando polarização e paralisia decisória em crises nucleares ou climáticas – como visto nas eleições de 2024 nos EUA e na narrativa russa sobre a Ucrânia. No campo militar, a IA impulsiona "killer robots" e sistemas de comando cibernético, com a China investindo US$ 400 bilhões anuais em defesa tecnológica e os EUA desenvolvendo o programa Replicator para milhares de drones autônomos até 2026. Esses usos atuais prenunciam desdobramentos futuros alarmantes: projeções do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos preveem que, até 2030, 60% das decisões táticas em conflitos serão automatizadas, reduzindo o "loop de matança humana" e elevando riscos de escalada inadvertida.
As mudanças climáticas, outro pilar do relógio, interagem sinergeticamente com essas tecnologias, amplificando vulnerabilidades sociais globais. Em 2025, eventos extremos como secas na África, ondas de calor na Índia e inundações no Paquistão deslocaram 32 milhões de pessoas, segundo a ONU, enquanto emissões de CO2 atingiram 37,4 bilhões de toneladas – 1,3% acima de 2024, apesar de acordos como Paris. Políticas como as de promoção de combustíveis fósseis pelo governo Trump nos EUA agravam o quadro, com IA usada para modelar cenários catastróficos: relatórios do IPCC indicam que, sem cortes de 45% nas emissões até 2030, o aquecimento superará 2°C, desencadeando migrações em massa e conflitos por recursos. Riscos biológicos, por fim, ganham tração com avanços em edição genética como CRISPR, que permitem engenharia de patógenos – um risco acentuado pela pandemia de COVID-19 e vazamentos laboratoriais suspeitos.
Essas ameaças não são isoladas; elas se entrelaçam em tendências globais de fragmentação da governança internacional, onde tratados como New START expiram sem substitutos e a ONU vê sua credibilidade erodida por vetos no Conselho de Segurança. Exemplos reais ilustram a relevância social: na Ucrânia, IA russa otimiza drones kamikaze, causando 70% das baixas civis em 2025; no Oriente Médio, bombardeios contra o Irã expõem 85 milhões de civis a radiação potencial; e na Ásia, tensões Coreia do Norte-EUA testam sistemas de alerta nuclear baseados em IA propensos a falsos positivos. Essa convergência afeta desproporcionalmente populações vulneráveis – países em desenvolvimento arcam com 80% dos custos climáticos, segundo o Banco Mundial, enquanto elites tecnológicas lucram com a securitização.
Elementos visuais reforçam a gravidade quantitativa.
Gráfico 1 – Evolução do Relógio do Apocalipse (1947–2026)
Legenda: Linha temporal mostrando avanços para meia-noite, com picos em 1953 (2 min, teste H-bomba), 2021 (100s) e 2026 (85s); fundo gradiente de verde (seguro) a vermelho (crítico).
Fonte: Bulletin of the Atomic Scientists, Wikipedia.
Tabela 1 – Posições Recentes e Fatores Principais
| Ano | Segundos para Meia-Noite | Mudança | Fatores Chave |
|---|---|---|---|
| 2023 | 90s | - | Guerra Ucrânia, clima, IA inicial |
| 2025 | 89s | -1s | Desinformação, tensões nucleares |
| 2026 | 85s | -4s | Fim New START, ataques Irã, IA disruptiva, clima extremo |
Legenda: Tabela resume ajustes recentes, destacando aceleração em 2026 devido a falhas de liderança e tecnologias não reguladas.
Fontes: Bulletin of the Atomic Scientists, CNN, UChicago News.
O senso crítico revela uma ironia profunda: tecnologias como IA e nuclear, frutos da inovação humana, agora ameaçam a própria espécie por ausência de regulação ética e multilateral. Declarações como a de Alexandra Bell, CEO do Bulletin – "A humanidade não avançou o suficiente nos perigos existenciais que nos ameaçam a todos" – ecoam o apelo por ação imediata, mas o avanço para 85 segundos sugere que o relógio não é mera metáfora: é um termômetro de inação coletiva. Futuramente, sem tratados como um New START 2.0 ou regulação global de IA letal, projeções indicam risco de 10-20% de catástrofe existencial até 2050, per estudos do Future of Humanity Institute. Para justiça social, urge redirecionar investimentos – US$ 2 trilhões anuais em defesa global – para resiliência climática e equidade tecnológica, transformando o relógio de profecia em bússola para sobrevivência.
Bibliografia
TIME. 'Doomsday Clock' Moves Closer to Midnight Than Ever. Nova York: TIME USA, LLC, 26 jan. 2026. Disponível em: https://time.com/7358249/doomsday-clock-midnight/. Acesso em: 28 fev. 2026.
CNN. Doomsday Clock 2026: Scientists set new time. Atlanta: CNN, 27 jan. 2026. Disponível em: https://www.cnn.com/2026/01/27/science/doomsday-clock-2026-time-wellness. Acesso em: 28 fev. 2026.
UNIVERSITY OF CHICAGO NEWS. Doomsday Clock ticks down to 85 seconds to midnight in 2026, closest ever to apocalypse. Chicago: UChicago News, 26 jan. 2026. Disponível em: https://news.uchicago.edu/story/doomsday-clock-ticks-down-85-seconds-midnight-2026-closest-ever-apocalypse. Acesso em: 28 fev. 2026.
WIKIPEDIA. Doomsday Clock. San Francisco: Wikimedia Foundation, 2026. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Doomsday_Clock. Acesso em: 28 fev. 2026.
WAGING PEACE. 2026 Doomsday Clock Announcement: 85 Seconds to Midnight. Washington, DC: Waging Peace, 27 jan. 2026. Disponível em: https://www.wagingpeace.org/2026-doomsday-clock-announcement-85-seconds-to-midnight/. Acesso em: 28 fev. 2026.
REUTERS. Atomic scientists set 'Doomsday Clock' closer to midnight than ever. Londres: Thomson Reuters, 27 jan. 2026. Disponível em: https://www.reuters.com/world/china/atomic-scientists-set-doomsday-clock-closer-midnight-than-ever-2026-01-27/. Acesso em: 28 fev. 2026.
PBS NEWSHOUR. 'Doomsday Clock' ticks closer to midnight amid threats from AI, climate change and nuclear war. Arlington: PBS, 27 jan. 2026. Disponível em: https://www.pbs.org/newshour/world/doomsday-clock-ticks-closer-to-midnight-amid-threats-from-ai-climate-change-and-nuclear-war. Acesso em: 28 fev. 2026.
Créditos
Reportagem: Fabiano C. Prometi.
Edição: Fabiano C. Prometi.
Produção editorial: Equipe Horizontes do Desenvolvimento – Inovação, Política e Justiça Social.
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