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Comissão aprova PEC que propõe o fim da escala 6x1 e reacende debate sobre precarização histórica do trabalho no Brasil

  Comissão aprova PEC que propõe o fim da escala 6x1 e reacende debate sobre precarização histórica do trabalho no Brasil Publicado em 27 de maio de 2026 Por Fabiano C. Prometi A aprovação, na comissão especial da Câmara dos Deputados, do relatório da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 representa um dos movimentos mais relevantes da política trabalhista brasileira nas últimas décadas. A medida, que ainda seguirá para votação em plenário, estabelece mudanças profundas na organização da jornada de trabalho no país e recoloca no centro do debate a relação entre produtividade, qualidade de vida e direitos sociais em uma economia marcada por desigualdades estruturais. A chamada escala 6x1 — seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso — consolidou-se historicamente como um modelo predominante em setores como comércio, serviços, supermercados, logística, indústria alimentícia e telemarketing. Embora legalizada pela Consoli...

Descoberto novo exoplaneta com manhãs nubladas e tardes ensolaradas

Descoberto novo exoplaneta com manhãs nubladas e tardes ensolaradas

Protagonista do estudo é um exoplaneta de um tipo conhecido como “Júpiter quente” onde ventos supersônicos carregam partículas condensadas do hemisfério noturno para zonas progressivamente mais quentes da atmosfera. sdecoret/Shutterstock
Carlos Vázquez Monzón, Universidad Loyola Andalucía

O Universo volta a nos surpreender com um fenômeno meteorológico tão familiar quanto estranho: um planeta gigante fora do Sistema Solar parece ter manhãs nubladas e tardes claras. A diferença é que, nesse caso, não estamos falando de brisas suaves nem de chuvas passageiras, mas de temperaturas extremas e ventos supersônicos em um mundo gasoso abrasado por sua estrela.

A descoberta, publicada na revista Science e realizada com o telescópio espacial James Webb (JWST), traz uma das imagens mais detalhadas até agora de como funcionam as atmosferas de exoplanetas gigantes. Além disso, ela ajuda a resolver um antigo debate da astronomia moderna: de que são realmente feitas as névoas (hazes) e nuvens que envolvem esses mundos?

Nuvens de ferro fundido em um exoplaneta gasoso. ESO/M. Kornmesser, CC BY

Um “Júpiter quente” com duas faces

Dois corpos orbitando em torno de um central (vermelho). O mais próximo está em trava de maré, enquanto o mais distante não. Wikimedia Commons., CC BY

O protagonista do estudo é WASP-94A b, um exoplaneta de um tipo conhecido como “Júpiter quente”: um gigante gasoso semelhante a Júpiter, mas orbitando extremamente perto de sua estrela. Essa proximidade faz com que um ano lá dure apenas alguns dias terrestres e que o planeta esteja em trava de maré, ou seja, sempre mostrando a mesma face para o seu sol, assim como acontece com a Lua em relação à Terra. Desta forma, um hemisfério do exoplaneta permanece eternamente iluminado, enquanto o outro fica em constante escuridão. Entre ambos, existe uma faixa de transição, chamada “terminador”, onde os astrônomos podem estudar a atmosfera observando como a luz da estrela atravessa suas camadas gasosas durante um trânsito planetário.

Imagem artística de WASP-39, com a linha do terminador. NASA/ESA/CSA, CC BY

E foi precisamente dali que apareceu a surpresa. As observações do JWST revelaram uma diferença muito clara entre o lado matinal e o lado vespertino do planeta. Na região onde amanhece, predominam nuvens densas que atenuam os sinais espectrais do vapor de água. Em contrapartida, na zona onde anoitece, a atmosfera parece muito mais limpa e transparente.

Ciclo meteorológico mais extremo que se imagina

A explicação aponta para um autêntico ciclo meteorológico extraterrestre. Os pesquisadores acreditam que as nuvens se formam nas regiões relativamente mais frias do planeta, provavelmente por meio da condensação de minerais e compostos exóticos presentes na atmosfera. Em seguida, ventos atmosféricos intensos transportam essas partículas para zonas mais quentes, onde acabam evaporando.

Na Terra, as nuvens são formadas por água líquida ou cristais de gelo. Mas nesses mundos escaldantes poderiam existir nuvens de silicatos ou minerais vaporizados. As diferenças térmicas entre os dois lados do planeta podem ultrapassar 280 graus Celsius, o suficiente para que os aerossóis apareçam e desapareçam continuamente enquanto circulam ao redor do globo.

Gigante gasoso com nuvens de silicatos. Pablo Carlos Budassi, CC BY

Os novos dados do JWST sugerem, além disso, que a distribuição das nuvens não é uniforme nem estável. As observações indicam uma atmosfera extremamente dinâmica, dominada por correntes capazes de redistribuir calor e materiais a velocidades enormes.

Nesse cenário, modelos atmosféricos apontam para ventos supersônicos que percorrem o planeta transportando partículas condensadas do hemisfério noturno e das regiões matinais para zonas progressivamente mais quentes.

Um velho dilema resolvido?

A descoberta é importante porque, durante anos, existiram duas hipóteses principais para explicar os aerossóis dos Júpiteres quentes. Enquanto uma defendia que eram nuvens originadas por condensação, a outra propunha névoas fotoquímicas, criadas pela intensa radiação estelar, semelhantes às de Titã, a lua de Saturno, ou à smog terrestre.

As novas observações favorecem claramente a primeira explicação: pelo menos nesse tipo de planeta, as nuvens parecem se comportar como sistemas meteorológicos dinâmicos regidos pela temperatura e pela circulação atmosférica.

O problema das atmosferas “ocultas”

Embora as nuvens tornem esses mundos mais fascinantes, elas também representam um grande desafio científico.

Para estudar um exoplaneta, os astrônomos analisam como certos gases absorvem comprimentos de onda específicos da luz. Esse padrão permite identificar moléculas como água, dióxido de carbono ou metano. Mas as nuvens e a neblina podem ocultar parte desses sinais e distorcer as medições.

Em alguns casos, um planeta pode parecer pobre em água simplesmente porque as nuvens bloqueiam a observação. De fato, estudos anteriores já haviam mostrado que muitos Júpiteres quentes formam um continuum que vai de atmosferas completamente desobstruídas a outras muito cobertas por nuvens.

Agora sabemos algo ainda mais complexo: um mesmo planeta pode ter regiões simultaneamente nubladas e claras.

Isso obriga a reinterpretar parte dos dados obtidos durante mais de uma década com telescópios como o Hubble e a desenvolver modelos atmosféricos tridimensionais muito mais sofisticados.

Mais perto de compreender outros mundos

O JWST está inaugurando uma nova etapa na exploração de exoplanetas. Já não basta detectar sua existência: agora começamos a estudar sua meteorologia, seus ciclos atmosféricos e sua química com um nível de detalhe impensável há apenas alguns anos.

O WASP-94A b se tornou um dos melhores exemplos dessa nova astronomia atmosférica. Seus “amanheceres” cobertos de nuvens e seus “pôres-do-sol” ensolarados mostram que mesmo os mundos mais extremos têm dinâmicas complexas, mutáveis e surpreendentemente semelhantes, em certos aspectos, a fenômenos meteorológicos familiares na Terra.

Compreender como essas nuvens exóticas se formam também será fundamental para interpretar planetas menores e potencialmente habitáveis. Afinal, a atmosfera é a grande intermediária entre a superfície de um mundo e o espaço.

Pela primeira vez, começamos a observar como o tempo muda em planetas situados a centenas de anos-luz de distância.The Conversation

Carlos Vázquez Monzón, Profesor Ayudante Doctor, especializado en Astrofísica y Astrodinámica, Universidad Loyola Andalucía

This article is republished from The Conversation under a Creative Commons license. Read the original article.

Descoberto novo exoplaneta com manhãs nubladas e tardes ensolaradas

Protagonista do estudo é um exoplaneta de um tipo conhecido como “Júpiter quente” onde ventos supersônicos carregam partículas condensadas do hemisfério noturno para zonas progressivamente mais quentes da atmosfera. sdecoret/Shutterstock
Carlos Vázquez Monzón, Universidad Loyola Andalucía

O Universo volta a nos surpreender com um fenômeno meteorológico tão familiar quanto estranho: um planeta gigante fora do Sistema Solar parece ter manhãs nubladas e tardes claras. A diferença é que, nesse caso, não estamos falando de brisas suaves nem de chuvas passageiras, mas de temperaturas extremas e ventos supersônicos em um mundo gasoso abrasado por sua estrela.

A descoberta, publicada na revista Science e realizada com o telescópio espacial James Webb (JWST), traz uma das imagens mais detalhadas até agora de como funcionam as atmosferas de exoplanetas gigantes. Além disso, ela ajuda a resolver um antigo debate da astronomia moderna: de que são realmente feitas as névoas (hazes) e nuvens que envolvem esses mundos?

Nuvens de ferro fundido em um exoplaneta gasoso. ESO/M. Kornmesser, CC BY

Um “Júpiter quente” com duas faces

Dois corpos orbitando em torno de um central (vermelho). O mais próximo está em trava de maré, enquanto o mais distante não. Wikimedia Commons., CC BY

O protagonista do estudo é WASP-94A b, um exoplaneta de um tipo conhecido como “Júpiter quente”: um gigante gasoso semelhante a Júpiter, mas orbitando extremamente perto de sua estrela. Essa proximidade faz com que um ano lá dure apenas alguns dias terrestres e que o planeta esteja em trava de maré, ou seja, sempre mostrando a mesma face para o seu sol, assim como acontece com a Lua em relação à Terra. Desta forma, um hemisfério do exoplaneta permanece eternamente iluminado, enquanto o outro fica em constante escuridão. Entre ambos, existe uma faixa de transição, chamada “terminador”, onde os astrônomos podem estudar a atmosfera observando como a luz da estrela atravessa suas camadas gasosas durante um trânsito planetário.

Imagem artística de WASP-39, com a linha do terminador. NASA/ESA/CSA, CC BY

E foi precisamente dali que apareceu a surpresa. As observações do JWST revelaram uma diferença muito clara entre o lado matinal e o lado vespertino do planeta. Na região onde amanhece, predominam nuvens densas que atenuam os sinais espectrais do vapor de água. Em contrapartida, na zona onde anoitece, a atmosfera parece muito mais limpa e transparente.

Ciclo meteorológico mais extremo que se imagina

A explicação aponta para um autêntico ciclo meteorológico extraterrestre. Os pesquisadores acreditam que as nuvens se formam nas regiões relativamente mais frias do planeta, provavelmente por meio da condensação de minerais e compostos exóticos presentes na atmosfera. Em seguida, ventos atmosféricos intensos transportam essas partículas para zonas mais quentes, onde acabam evaporando.

Na Terra, as nuvens são formadas por água líquida ou cristais de gelo. Mas nesses mundos escaldantes poderiam existir nuvens de silicatos ou minerais vaporizados. As diferenças térmicas entre os dois lados do planeta podem ultrapassar 280 graus Celsius, o suficiente para que os aerossóis apareçam e desapareçam continuamente enquanto circulam ao redor do globo.

Gigante gasoso com nuvens de silicatos. Pablo Carlos Budassi, CC BY

Os novos dados do JWST sugerem, além disso, que a distribuição das nuvens não é uniforme nem estável. As observações indicam uma atmosfera extremamente dinâmica, dominada por correntes capazes de redistribuir calor e materiais a velocidades enormes.

Nesse cenário, modelos atmosféricos apontam para ventos supersônicos que percorrem o planeta transportando partículas condensadas do hemisfério noturno e das regiões matinais para zonas progressivamente mais quentes.

Um velho dilema resolvido?

A descoberta é importante porque, durante anos, existiram duas hipóteses principais para explicar os aerossóis dos Júpiteres quentes. Enquanto uma defendia que eram nuvens originadas por condensação, a outra propunha névoas fotoquímicas, criadas pela intensa radiação estelar, semelhantes às de Titã, a lua de Saturno, ou à smog terrestre.

As novas observações favorecem claramente a primeira explicação: pelo menos nesse tipo de planeta, as nuvens parecem se comportar como sistemas meteorológicos dinâmicos regidos pela temperatura e pela circulação atmosférica.

O problema das atmosferas “ocultas”

Embora as nuvens tornem esses mundos mais fascinantes, elas também representam um grande desafio científico.

Para estudar um exoplaneta, os astrônomos analisam como certos gases absorvem comprimentos de onda específicos da luz. Esse padrão permite identificar moléculas como água, dióxido de carbono ou metano. Mas as nuvens e a neblina podem ocultar parte desses sinais e distorcer as medições.

Em alguns casos, um planeta pode parecer pobre em água simplesmente porque as nuvens bloqueiam a observação. De fato, estudos anteriores já haviam mostrado que muitos Júpiteres quentes formam um continuum que vai de atmosferas completamente desobstruídas a outras muito cobertas por nuvens.

Agora sabemos algo ainda mais complexo: um mesmo planeta pode ter regiões simultaneamente nubladas e claras.

Isso obriga a reinterpretar parte dos dados obtidos durante mais de uma década com telescópios como o Hubble e a desenvolver modelos atmosféricos tridimensionais muito mais sofisticados.

Mais perto de compreender outros mundos

O JWST está inaugurando uma nova etapa na exploração de exoplanetas. Já não basta detectar sua existência: agora começamos a estudar sua meteorologia, seus ciclos atmosféricos e sua química com um nível de detalhe impensável há apenas alguns anos.

O WASP-94A b se tornou um dos melhores exemplos dessa nova astronomia atmosférica. Seus “amanheceres” cobertos de nuvens e seus “pôres-do-sol” ensolarados mostram que mesmo os mundos mais extremos têm dinâmicas complexas, mutáveis e surpreendentemente semelhantes, em certos aspectos, a fenômenos meteorológicos familiares na Terra.

Compreender como essas nuvens exóticas se formam também será fundamental para interpretar planetas menores e potencialmente habitáveis. Afinal, a atmosfera é a grande intermediária entre a superfície de um mundo e o espaço.

Pela primeira vez, começamos a observar como o tempo muda em planetas situados a centenas de anos-luz de distância.The Conversation

Carlos Vázquez Monzón, Profesor Ayudante Doctor, especializado en Astrofísica y Astrodinámica, Universidad Loyola Andalucía

This article is republished from The Conversation under a Creative Commons license. Read the original article.

Descoberto novo exoplaneta com manhãs nubladas e tardes ensolaradas

Protagonista do estudo é um exoplaneta de um tipo conhecido como “Júpiter quente” onde ventos supersônicos carregam partículas condensadas do hemisfério noturno para zonas progressivamente mais quentes da atmosfera. sdecoret/Shutterstock
Carlos Vázquez Monzón, Universidad Loyola Andalucía

O Universo volta a nos surpreender com um fenômeno meteorológico tão familiar quanto estranho: um planeta gigante fora do Sistema Solar parece ter manhãs nubladas e tardes claras. A diferença é que, nesse caso, não estamos falando de brisas suaves nem de chuvas passageiras, mas de temperaturas extremas e ventos supersônicos em um mundo gasoso abrasado por sua estrela.

A descoberta, publicada na revista Science e realizada com o telescópio espacial James Webb (JWST), traz uma das imagens mais detalhadas até agora de como funcionam as atmosferas de exoplanetas gigantes. Além disso, ela ajuda a resolver um antigo debate da astronomia moderna: de que são realmente feitas as névoas (hazes) e nuvens que envolvem esses mundos?

Nuvens de ferro fundido em um exoplaneta gasoso. ESO/M. Kornmesser, CC BY

Um “Júpiter quente” com duas faces

Dois corpos orbitando em torno de um central (vermelho). O mais próximo está em trava de maré, enquanto o mais distante não. Wikimedia Commons., CC BY

O protagonista do estudo é WASP-94A b, um exoplaneta de um tipo conhecido como “Júpiter quente”: um gigante gasoso semelhante a Júpiter, mas orbitando extremamente perto de sua estrela. Essa proximidade faz com que um ano lá dure apenas alguns dias terrestres e que o planeta esteja em trava de maré, ou seja, sempre mostrando a mesma face para o seu sol, assim como acontece com a Lua em relação à Terra. Desta forma, um hemisfério do exoplaneta permanece eternamente iluminado, enquanto o outro fica em constante escuridão. Entre ambos, existe uma faixa de transição, chamada “terminador”, onde os astrônomos podem estudar a atmosfera observando como a luz da estrela atravessa suas camadas gasosas durante um trânsito planetário.

Imagem artística de WASP-39, com a linha do terminador. NASA/ESA/CSA, CC BY

E foi precisamente dali que apareceu a surpresa. As observações do JWST revelaram uma diferença muito clara entre o lado matinal e o lado vespertino do planeta. Na região onde amanhece, predominam nuvens densas que atenuam os sinais espectrais do vapor de água. Em contrapartida, na zona onde anoitece, a atmosfera parece muito mais limpa e transparente.

Ciclo meteorológico mais extremo que se imagina

A explicação aponta para um autêntico ciclo meteorológico extraterrestre. Os pesquisadores acreditam que as nuvens se formam nas regiões relativamente mais frias do planeta, provavelmente por meio da condensação de minerais e compostos exóticos presentes na atmosfera. Em seguida, ventos atmosféricos intensos transportam essas partículas para zonas mais quentes, onde acabam evaporando.

Na Terra, as nuvens são formadas por água líquida ou cristais de gelo. Mas nesses mundos escaldantes poderiam existir nuvens de silicatos ou minerais vaporizados. As diferenças térmicas entre os dois lados do planeta podem ultrapassar 280 graus Celsius, o suficiente para que os aerossóis apareçam e desapareçam continuamente enquanto circulam ao redor do globo.

Gigante gasoso com nuvens de silicatos. Pablo Carlos Budassi, CC BY

Os novos dados do JWST sugerem, além disso, que a distribuição das nuvens não é uniforme nem estável. As observações indicam uma atmosfera extremamente dinâmica, dominada por correntes capazes de redistribuir calor e materiais a velocidades enormes.

Nesse cenário, modelos atmosféricos apontam para ventos supersônicos que percorrem o planeta transportando partículas condensadas do hemisfério noturno e das regiões matinais para zonas progressivamente mais quentes.

Um velho dilema resolvido?

A descoberta é importante porque, durante anos, existiram duas hipóteses principais para explicar os aerossóis dos Júpiteres quentes. Enquanto uma defendia que eram nuvens originadas por condensação, a outra propunha névoas fotoquímicas, criadas pela intensa radiação estelar, semelhantes às de Titã, a lua de Saturno, ou à smog terrestre.

As novas observações favorecem claramente a primeira explicação: pelo menos nesse tipo de planeta, as nuvens parecem se comportar como sistemas meteorológicos dinâmicos regidos pela temperatura e pela circulação atmosférica.

O problema das atmosferas “ocultas”

Embora as nuvens tornem esses mundos mais fascinantes, elas também representam um grande desafio científico.

Para estudar um exoplaneta, os astrônomos analisam como certos gases absorvem comprimentos de onda específicos da luz. Esse padrão permite identificar moléculas como água, dióxido de carbono ou metano. Mas as nuvens e a neblina podem ocultar parte desses sinais e distorcer as medições.

Em alguns casos, um planeta pode parecer pobre em água simplesmente porque as nuvens bloqueiam a observação. De fato, estudos anteriores já haviam mostrado que muitos Júpiteres quentes formam um continuum que vai de atmosferas completamente desobstruídas a outras muito cobertas por nuvens.

Agora sabemos algo ainda mais complexo: um mesmo planeta pode ter regiões simultaneamente nubladas e claras.

Isso obriga a reinterpretar parte dos dados obtidos durante mais de uma década com telescópios como o Hubble e a desenvolver modelos atmosféricos tridimensionais muito mais sofisticados.

Mais perto de compreender outros mundos

O JWST está inaugurando uma nova etapa na exploração de exoplanetas. Já não basta detectar sua existência: agora começamos a estudar sua meteorologia, seus ciclos atmosféricos e sua química com um nível de detalhe impensável há apenas alguns anos.

O WASP-94A b se tornou um dos melhores exemplos dessa nova astronomia atmosférica. Seus “amanheceres” cobertos de nuvens e seus “pôres-do-sol” ensolarados mostram que mesmo os mundos mais extremos têm dinâmicas complexas, mutáveis e surpreendentemente semelhantes, em certos aspectos, a fenômenos meteorológicos familiares na Terra.

Compreender como essas nuvens exóticas se formam também será fundamental para interpretar planetas menores e potencialmente habitáveis. Afinal, a atmosfera é a grande intermediária entre a superfície de um mundo e o espaço.

Pela primeira vez, começamos a observar como o tempo muda em planetas situados a centenas de anos-luz de distância.The Conversation

Carlos Vázquez Monzón, Profesor Ayudante Doctor, especializado en Astrofísica y Astrodinámica, Universidad Loyola Andalucía

This article is republished from The Conversation under a Creative Commons license. Read the original article.

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