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Imperialismo estadunidense: a guerra permanente contra a soberania da Venezuela
Imperialismo estadunidense: a guerra permanente contra a soberania da Venezuela
Por Fabiano C. Prometi
Apresentação do dossiê
Este dossiê tem como objetivo contribuir para o debate político e a formação crítica sobre o imperialismo no século XXI, denunciando o papel dos Estados Unidos na violação sistemática da soberania dos povos da América Latina. Tomamos como eixo central a ofensiva permanente contra a Venezuela, país transformado em alvo prioritário por ousar exercer controle sobre seus recursos naturais e buscar caminhos políticos fora da órbita de Washington.
Longe de se tratar de um conflito isolado ou de “erros de política externa”, o que está em curso é uma estratégia imperial coerente, planejada e reiterada, que utiliza sanções econômicas, guerra informacional, ingerência diplomática e ameaça militar para impor submissão.
1. O que é imperialismo? Uma definição política necessária
Imperialismo não é um conceito do passado, nem um exagero retórico. Trata-se de um sistema de dominação estrutural, no qual potências centrais impõem seus interesses econômicos, políticos e geoestratégicos sobre países periféricos.
No mundo contemporâneo, o imperialismo se expressa por meio de:
-
controle financeiro internacional;
-
chantagem econômica via sanções;
-
captura de elites políticas locais;
-
manipulação midiática;
-
instrumentalização seletiva dos direitos humanos;
-
uso direto ou indireto da força militar.
Os Estados Unidos são o principal agente desse sistema hoje. Sua política externa não visa “democracia” ou “liberdade”, mas acesso a recursos estratégicos, mercados e alinhamento geopolítico.
2. América Latina: território histórico da dominação imperial
A América Latina sempre foi tratada como quintal estratégico do imperialismo estadunidense. Golpes, ditaduras, bloqueios econômicos e intervenções diretas moldaram a história da região ao longo do século XX.
O padrão se repete:
-
Um país busca autonomia política ou controle de recursos naturais;
-
Passa a ser rotulado como “ameaça”, “ditadura” ou “regime autoritário”;
-
Sofre isolamento internacional, sabotagem econômica e desestabilização interna;
-
Se não se submete, enfrenta sanções mais duras ou intervenção direta.
Nada disso é acidental. É método.
3. Por que a Venezuela incomoda o imperialismo?
A Venezuela reúne três elementos intoleráveis para Washington:
-
Petróleo: possui uma das maiores reservas do mundo;
-
Soberania: optou por controle estatal de recursos estratégicos;
-
Exemplo político: demonstrou que é possível romper, ainda que parcialmente, com a lógica neoliberal.
A resposta imperial foi imediata e crescente.
4. As armas do imperialismo contra a Venezuela
4.1 Sanções econômicas: punição coletiva disfarçada
As sanções impostas pelos Estados Unidos não são “medidas diplomáticas”. São instrumentos de guerra econômica, que:
-
bloqueiam transações financeiras;
-
impedem importações essenciais;
-
afetam diretamente saúde, alimentação e infraestrutura;
-
geram sofrimento social deliberado.
Trata-se de punição coletiva contra um povo inteiro, prática proibida pelo direito internacional, mas normalizada quando executada pelo império.
4.2 Guerra política e mudança de regime
Os Estados Unidos não escondem seu objetivo de derrubar o governo venezuelano. Reconhecimento de lideranças autoproclamadas, financiamento de grupos opositores e pressão diplomática fazem parte de uma estratégia explícita de mudança de regime.
Não há neutralidade. Há ingerência direta.
4.3 Guerra informacional: a mentira como política
A mídia corporativa internacional atua como braço ideológico do imperialismo. Crises são descontextualizadas, sanções são ocultadas e narrativas simplistas reduzem um conflito complexo a slogans morais.
A Venezuela é apresentada como causa de sua própria destruição, enquanto o cerco econômico imposto de fora é invisibilizado.
5. Direitos humanos como arma seletiva
O discurso dos direitos humanos é utilizado de forma instrumental e hipócrita. Países alinhados aos Estados Unidos, mesmo com históricos brutais de repressão, são tratados como “aliados estratégicos”. Já governos que desafiam a hegemonia imperial são transformados em alvos permanentes de campanhas morais.
Direitos humanos, nesse contexto, deixam de ser princípio universal e passam a ser ferramenta de guerra política.
6. O que está em jogo: soberania e autodeterminação
O ataque à Venezuela não é apenas contra um governo. É um aviso a todos os povos que ousam:
-
controlar seus próprios recursos;
-
romper com o neoliberalismo;
-
construir integração regional independente;
-
desafiar o domínio imperial.
Defender a soberania venezuelana é defender o direito dos povos decidirem seus próprios destinos.
7. Conclusão: contra o imperialismo, solidariedade internacional
O imperialismo estadunidense segue operando como força de destruição, desigualdade e violência estrutural. A Venezuela resiste não por ser perfeita, mas por se recusar a se ajoelhar.
Para a esquerda latino-americana e global, não há neutralidade possível. Ou se está ao lado da soberania dos povos, ou se legitima a dominação imperial.
A luta contra o imperialismo é, antes de tudo, uma luta pela dignidade, pela justiça social e pelo futuro da América Latina.
Para aprofundar o debate
-
LÊNIN, V. I. O imperialismo, fase superior do capitalismo
-
HARVEY, David. O novo imperialismo
-
QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder e América Latina
-
Carta das Nações Unidas (ONU)
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