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A Copa que apostou contra o torcedor: algoritmos, bets e o que a escola ainda não ensinou

A Copa que apostou contra o torcedor: algoritmos, bets e o que a escola ainda não ensinou Raquel Lobão , Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Raquel Timponi , Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) No dia 22 de junho de 2026, enquanto Argentina e Áustria disputavam uma vaga na segunda fase da Copa do Mundo, os narradores da CazéTV (canal de streaming que detém os direitos de exibição dos 104 jogos do torneio no YouTube) recomendavam, em tempo real, que os telespectadores apostassem na Betnacional, que havia elevado suas odds (possibilidades de retorno da aposta) de 3 para 4 vezes o dinheiro apostado. A cena se repetiria em outros jogos: na partida entre a Espanha e Cabo Verde, um comentarista destacou que a casa de apostas KTO pagaria R$ 3,10 por cada real apostado se fossem marcados ao menos cinco gols. O jogo terminou 0 a 0. A repercussão negativa desse tipo de propaganda no meio dos jogos se alastrou rapidamente. Na segunda semana da Copa, o Depa...

Imperialismo estadunidense: a guerra permanente contra a soberania da Venezuela

Imperialismo estadunidense: a guerra permanente contra a soberania da Venezuela

Por Fabiano C. Prometi


Apresentação do dossiê

Este dossiê tem como objetivo contribuir para o debate político e a formação crítica sobre o imperialismo no século XXI, denunciando o papel dos Estados Unidos na violação sistemática da soberania dos povos da América Latina. Tomamos como eixo central a ofensiva permanente contra a Venezuela, país transformado em alvo prioritário por ousar exercer controle sobre seus recursos naturais e buscar caminhos políticos fora da órbita de Washington.

Longe de se tratar de um conflito isolado ou de “erros de política externa”, o que está em curso é uma estratégia imperial coerente, planejada e reiterada, que utiliza sanções econômicas, guerra informacional, ingerência diplomática e ameaça militar para impor submissão.


1. O que é imperialismo? Uma definição política necessária

Imperialismo não é um conceito do passado, nem um exagero retórico. Trata-se de um sistema de dominação estrutural, no qual potências centrais impõem seus interesses econômicos, políticos e geoestratégicos sobre países periféricos.

No mundo contemporâneo, o imperialismo se expressa por meio de:

  • controle financeiro internacional;

  • chantagem econômica via sanções;

  • captura de elites políticas locais;

  • manipulação midiática;

  • instrumentalização seletiva dos direitos humanos;

  • uso direto ou indireto da força militar.

Os Estados Unidos são o principal agente desse sistema hoje. Sua política externa não visa “democracia” ou “liberdade”, mas acesso a recursos estratégicos, mercados e alinhamento geopolítico.


2. América Latina: território histórico da dominação imperial

A América Latina sempre foi tratada como quintal estratégico do imperialismo estadunidense. Golpes, ditaduras, bloqueios econômicos e intervenções diretas moldaram a história da região ao longo do século XX.

O padrão se repete:

  1. Um país busca autonomia política ou controle de recursos naturais;

  2. Passa a ser rotulado como “ameaça”, “ditadura” ou “regime autoritário”;

  3. Sofre isolamento internacional, sabotagem econômica e desestabilização interna;

  4. Se não se submete, enfrenta sanções mais duras ou intervenção direta.

Nada disso é acidental. É método.


3. Por que a Venezuela incomoda o imperialismo?

A Venezuela reúne três elementos intoleráveis para Washington:

  • Petróleo: possui uma das maiores reservas do mundo;

  • Soberania: optou por controle estatal de recursos estratégicos;

  • Exemplo político: demonstrou que é possível romper, ainda que parcialmente, com a lógica neoliberal.

A resposta imperial foi imediata e crescente.


4. As armas do imperialismo contra a Venezuela

4.1 Sanções econômicas: punição coletiva disfarçada

As sanções impostas pelos Estados Unidos não são “medidas diplomáticas”. São instrumentos de guerra econômica, que:

  • bloqueiam transações financeiras;

  • impedem importações essenciais;

  • afetam diretamente saúde, alimentação e infraestrutura;

  • geram sofrimento social deliberado.

Trata-se de punição coletiva contra um povo inteiro, prática proibida pelo direito internacional, mas normalizada quando executada pelo império.


4.2 Guerra política e mudança de regime

Os Estados Unidos não escondem seu objetivo de derrubar o governo venezuelano. Reconhecimento de lideranças autoproclamadas, financiamento de grupos opositores e pressão diplomática fazem parte de uma estratégia explícita de mudança de regime.

Não há neutralidade. Há ingerência direta.


4.3 Guerra informacional: a mentira como política

A mídia corporativa internacional atua como braço ideológico do imperialismo. Crises são descontextualizadas, sanções são ocultadas e narrativas simplistas reduzem um conflito complexo a slogans morais.

A Venezuela é apresentada como causa de sua própria destruição, enquanto o cerco econômico imposto de fora é invisibilizado.


5. Direitos humanos como arma seletiva

O discurso dos direitos humanos é utilizado de forma instrumental e hipócrita. Países alinhados aos Estados Unidos, mesmo com históricos brutais de repressão, são tratados como “aliados estratégicos”. Já governos que desafiam a hegemonia imperial são transformados em alvos permanentes de campanhas morais.

Direitos humanos, nesse contexto, deixam de ser princípio universal e passam a ser ferramenta de guerra política.


6. O que está em jogo: soberania e autodeterminação

O ataque à Venezuela não é apenas contra um governo. É um aviso a todos os povos que ousam:

  • controlar seus próprios recursos;

  • romper com o neoliberalismo;

  • construir integração regional independente;

  • desafiar o domínio imperial.

Defender a soberania venezuelana é defender o direito dos povos decidirem seus próprios destinos.


7. Conclusão: contra o imperialismo, solidariedade internacional

O imperialismo estadunidense segue operando como força de destruição, desigualdade e violência estrutural. A Venezuela resiste não por ser perfeita, mas por se recusar a se ajoelhar.

Para a esquerda latino-americana e global, não há neutralidade possível. Ou se está ao lado da soberania dos povos, ou se legitima a dominação imperial.

A luta contra o imperialismo é, antes de tudo, uma luta pela dignidade, pela justiça social e pelo futuro da América Latina.


Para aprofundar o debate

  • LÊNIN, V. I. O imperialismo, fase superior do capitalismo

  • HARVEY, David. O novo imperialismo

  • QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder e América Latina

  • Carta das Nações Unidas (ONU)

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