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Guerra contra o Irã: entenda a mudança nas relações internacionais que escalou o conflito no Oriente Médio

Guerra contra o Irã: entenda a mudança nas relações internacionais que escalou o conflito no Oriente Médio Alexandre Ramos Coelho , Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) Os indícios de um possível confronto militar entre Estados Unidos e Irã já vinham se delineando anteriormente, a partir de uma escalada gradual de tensões políticas, retóricas e estratégicas entre ambos os países. A Conferência de Segurança de Munique de 2026 , realizada entre 13 e 15 de fevereiro de 2026 — tornou esse ambiente mais perceptível ao expor um padrão em consolidação nas relações internacionais. Trata-se de uma transição em que os esforços de coordenação institucional perderam terreno para a coerção e para a barganha com plateia. A Conferência de Munique não é uma cúpula decisória nem um organismo internacional que delibera políticas. É um fórum anual de alto nível, no qual chefes de governo, chanceleres, ministros da Defesa, militares, diplomatas e analistas se reúnem...

Enterro Coletivo em Minab: 168 Meninas Iranianas Enterradas Após Bombardeio em Escola Revela o Horror da Guerra EUA-Israel

Enterro Coletivo em Minab: 168 Meninas Iranianas Enterradas Após Bombardeio em Escola Revela o Horror da Guerra EUA-Israel

Por Fabiano C. Prometi
4 de março de 2026

Milhares de iranianos vestidos de preto lotaram as ruas de Minab, no sul do Irã, nesta quarta-feira, para o enterro coletivo de 168 meninas de uma escola primária destruída no primeiro dia dos bombardeios americanos e israelenses contra o país. A cena de fileiras de covas rasas, decoradas com fotografias das vítimas – a maioria entre 7 e 12 anos –, expõe não apenas o luto de uma nação, mas o custo humano de uma escalada militar que ameaça engolir o Oriente Médio em chamas. O ataque à Shajareh Tayyebeh Girls’ School, ocorrido na manhã de 28 de fevereiro de 2026, marca o início de uma campanha que já vitimou milhares, incluindo o líder supremo Ali Khamenei, e questiona os limites da "guerra preventiva" no século XXI.

O contexto dessa tragédia remonta a tensões acumuladas ao longo de décadas, com raízes na Revolução Islâmica de 1979 e intensificadas pela saída dos EUA do acordo nuclear de 2015 (JCPOA). Dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) indicam que os bombardeios iniciais visavam instalações nucleares como Natanz e bases da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), mas colaterais devastadores como o de Minab revelam falhas em protocolos de precisão. Autoridades iranianas confirmam que cinco aviões de combate realizaram os ataques, destruindo o prédio durante aulas matinais, com um hospital próximo atingido horas depois. O balanço oficial: 168 alunas, 14 professoras e funcionários e quatro pais mortos, muitos irreconhecíveis devido à violência das explosões, exigindo caminhões refrigerados para preservar os corpos. O chefe do Supremo Tribunal de Hormozgan, Mojtaba Ghahremani, relatou que 25 vítimas ainda eram "não identificáveis", com famílias perdendo múltiplos filhos.

Sepulturas sendo preparadas para as vítimas, em sua maioria crianças, do que autoridades iranianas descreveram como um ataque conjunto israelense-americano em 28 de fevereiro a uma escola primária feminina em Minab, Irã, em 2 de março de 2026. © Departamento de Mídia Estrangeira do Irã via AP

Essa narrativa de luto não é isolada; ela ecoa padrões globais de ataques a infraestruturas civis em conflitos assimétricos. De acordo com a UNESCO, desde 2010, mais de 11 mil ataques a escolas foram registrados em zonas de guerra, com o Afeganistão (3.500 incidentes) e a Síria (2.500) liderando, resultando em 91 mil crianças afetadas até 2025. No caso de Minab, o Foreign Minister Abbas Araghchi postou imagens das covas no X (antigo Twitter), declarando: "Estas são covas sendo cavadas para mais de 160 meninas inocentes mortas no bombardeio americano-israelense de uma escola primária. Seus corpos foram despedaçados. É assim que parece o 'resgate' prometido pelo Sr. Trump na realidade. De Gaza a Minab, inocentes assassinados a sangue frio". Essa retórica reflete uma tendência: o uso de mídias sociais para amplificar indignação, com hashtags como #MinabMassacre acumulando milhões de visualizações em 24 horas.

A reação internacional sublinha divisões geopolíticas profundas. A ONU, por meio do Alto Comissário de Direitos Humanos Volker Türk, exigiu investigação e responsabilização, enquanto a porta-voz Ravina Shamdasani descreveu as imagens como capturando "a essência da destruição, desespero e insensatez dessa crueldade". Rússia, China, Turquia, Belarus e Paquistão condenaram veementemente o ato: Moscou chamou de "inaceitável" ataques a civis, Pequim o classificou como um dos "seis crimes graves contra crianças" reconhecidos pela ONU, e Malala Yousafzai, Nobel da Paz, qualificou como "inconcebível". Até vozes nos EUA, como a ex-congressista Marjorie Taylor Greene e o governador Gavin Newsom, questionaram: "Por que nossas bombas matam meninas em escolas?". EUA e Israel, porém, minimizaram: o Pentágono investiga "relatos de danos civis", e um porta-voz israelense negou strikes na área, alegando "operação precisa".

País/OrganizaçãoPosição PrincipalAção Proposta
RússiaCondenação resoluta; ataques a civis inaceitáveisCessar-fogo imediato via ONU 
ChinaForte repúdio; crime grave contra criançasInvestigação e resistência 
ONU/UNESCOAlarme e pedido de accountabilityInvestigação independente 
EUA/IsraelInvestigação em curso; negam intençãoNenhuma ação imediata anunciada

**Legenda: Reações internacionais ao ataque em Minab. Fonte: Elaboração própria com base em RT (2026) e ISW (2026). **

Essa tabela ilustra como o incidente acelera tendências globais: o uso de drones e mísseis de precisão, prometidos como "cirúrgicos" desde a era Obama (com taxa de erro colateral de 0,5% em relatos do Pentágono para o Iraque em 2017), falha em cenários densamente povoados, elevando riscos éticos. Futuramente, desdobramentos incluem potencial proliferação nuclear no Irã e aliados árabes, como alertado pela Rússia, e perturbações no Estreito de Ormuz, responsável por 20% do petróleo mundial (EIA, 2025). Socialmente, reforça desigualdades: meninas em regiões periféricas como Hormozgan sofrem mais, ecoando Gaza (onde 15 mil crianças morreram desde 2023, per ONU). Uma narrativa crítica revela cinismo: enquanto o mundo chora, o TikTok da Casa Branca postava vídeos de strikes ao som de "Macarena" no dia do enterro, como denunciou Maria Zakharova.

Em síntese, Minab não é mero acidente, mas sintoma de uma doutrina bélica que prioriza poder sobre vidas, demandando escrutínio global para evitar repetições.

Bibliografia
RT. Thousands gather in Iran to mourn schoolgirls killed during US-Israeli strikes. RT.com, Moscou, 2026. Disponível em: https://www.rt.com/news/633653-iran-minab-schoolgirls-funeral/. Acesso em: 4 mar. 2026.

INSTITUTE FOR THE STUDY OF WAR (ISW). Iran Update Evening Special Report, March 3, 2026. Washington, DC, 2026. Disponível em: https://understandingwar.org/research/middle-east/iran-update-evening-special-report-march-3-2026/. Acesso em: 4 mar. 2026.

AL JAZEERA. US and Israel step up attacks as war with Iran engulfs region. Doha, 2026. Disponível em: https://www.aljazeera.com/news/2026/3/4/israel-iran-continue-attacks-as-war-enters-its-fifth-day-engulfs-region. Acesso em: 4 mar. 2026.

CGTN. Tehran vows to fight 'battle for survival' amid intensified strikes. Pequim, 2026. Disponível em: https://news.cgtn.com/news/2026-03-04/Tehran-vows-to-fight-battle-for-survival-amid-intensified-strikes-1LenXMmP0sM/p.html. Acesso em: 4 mar. 2026.

Créditos
Reportagem: Fabiano C. Prometi (repórter).
Edição: Fabiano C. Prometi.
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